Com alta de 345%, ação da MMX fecha 2009 com melhor desempenho do Ibovespa

Companhia enfrentou um ano atribulado, com rumores de venda e entrada na carteira teórica do Ibovespa, entre outras histórias

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SÃO PAULO – Nelson Rodrigues disse uma vez que “só os profetas enxergam o óbvio”. Pois bem, um ano depois do último pregão de 2008, eis que encontramos liderando os ganhos do Ibovespa as ações da MMX (MMXM3), com valorização de 345,85%, cotadas a R$ 12,35, em uma ascensão que não parecia tão evidente no inicio do ano.

A companhia entrou em 2009 carregando o fardo de um prejuízo de R$ 848 milhões, acumulado ao longo do último ano, e as perspectivas nada animadoras para as commodities. Soma-se a isso a associação entre duas grandes mineradoras chinesas, que prometia gerar mais dor de cabeça ainda para as companhias brasileiras.

O próprio controlador da empresa, Eike Batista, revelou planos de vender a mineradora. Com tantos fatores contra, como foi possível atingir o melhor desempenho da carteira teórica do Ibovespa ?

Restrospectiva
Contudo, lembrando novamente de Nelson Rodrigues, mesmo em meio a tantas incertezas houve quem visse perspectivas positivas para a MMX. A Brascan, por exemplo, calculou um upside de 486% para a companhia em janeiro deste ano, destacando as oportunidade de negócios no Chile e boas oportunidades de vendas a partir de 2010 como pontos positivos.

Foi em abril que o cenário começou a se moldar a favor da mineradora, justamente quando, ironicamente, Eike disse que planejava vender a empresa. Batista disse, na época, que negociava a venda da mineradora com empresas da China, Coreia e Japão, com o objetivo de vender participações na MMX e na LLX, em conjunto. Após a declaração, os papéis da companhia tiveram seu melhor pregão no ano, terminando a sessão do dia 2 de abril com uma alta de 22,16%.

Porém, a empresa continuava a postar resultados negativos, como o prejuízo de R$ 148,3 milhões reportado no primeiro trimestre do ano. A solução encontrada pela administração foi alienar parte de sua participação na empresa para compensar as perdas. Notícias sobre ofertas da mineradora chinesa Wuhan geraram certo otimismo no mercado, porém não repercutiram sobre as ações. 

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Os papéis foram receber outro impulso em setembro com a sua inclusão na carteira teórica do Ibovespa e a divulgação de um lucro líquido de R$ 26,5 milhões no segundo trimestre do ano. Rumores sobre investidas de Eike Batista para tentar assumir o controle acionário da Vale (VALE3, VALE5) também impactaram o ânimo dos investidores com a MMX, com a possível aquisição de uma pela outra. Naquele mês, as ações da companhia acumularam alta de 29,76%, ficando com o posto de melhor desempenho do Ibovespa.

Perspectivas
Em novembro, por fim, as negociações com a Wisco terminaram com o acordo prevendo a injeção de US$ 400 milhões na mineradora, que concedeu participação de aproximadamente um quarto de seu capital social. Segundo o presidente da MMX, Roger Downey, o aporte de capital, em conjunto com uma operação de subscrição de ações, permitirá que a companhia quite sua dívida, avaliada em aproximadamente US$ 600 milhões.

Por fim, a companhia deixa 2009 com um cenário bem diferente daquele que entrou, com perspectiva de reajuste de 10% a 20% nos contratos de longo prazo para venda de minério de ferro.  “Vamos entrar em 2010 com um mercado com demanda muito forte, sem estoque e com pressão grande nos fornecedores de minério de ferro novamente”, revelou recentemente o controlador da empresa, Eike Batista.