Com alta das bolsas, indicador risco-País encerra em queda de dois pontos

Apesar do noticiário negativo, movimento do indicador se dá em linha com ânimo dos investidores no pregão

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SÃO PAULO – O indicador de risco-País encerrou esta quinta-feira (24) em queda de dois pontos-base, atingindo os 170 pontos. A baixa do indicador reflete o clima positivo nos principais mercados internacionais, apesar do noticiário econômico adverso da sessão.

Na cena interna, os investidores repercutiram as novas medidas do BC em relação ao câmbio, anunciadas na noite de quarta-feira (23), que já vinham sendo especuladas nas últimas semanas. Embora se esperava um aumento do IOF (Imposto por Operação Financeira) ou uma quarentena na divisa norte-americana, também se falava em um novo ajuste nas regras de recolhimento dos compulsórios sobre posições vendidas de câmbio, opção adotada pelo BaCen e que passa a valer a partir de 4 de abril.

A autoridade monetária também fará ajustes técnicos nas regras de recolhimento dos compulsórios sobre recursos a prazo e na exigibilidade adicional sobre depósitos. O Banco Central disse em sua nota que esta medida não altera a liquidez do sistema monetário, mas o sentimento que fica no mercado é de que a autoridade fará uso de medidas macroprudenciais caso julgue oportuno, o que pode ser uma alternativa ao combate de alta dos preços via aumento da Selic.

Portugal
O noticiário externo foi desfavorável no pregão. A intensificação da crise fiscal fez com que a Fitch Ratings rebaixasse os ratings de longo prazo em moeda local e estrangeira de Portugal, sendo que as notas também foram colocadas em revisão negativa. O rating de curto prazo também foi cortado. Segundo Douglas Renwick, diretor da agência, o rebaixamento ocorreu em função do fracasso do Parlamento em aprovar um plano de ajuste para estabilizar a economia do país e da renúncia do primeiro-ministro português, José Sócrates, fazendo com que os riscos fiscais aumentassem.

Assim, diante desse agravamento da situação fiscal no país, parece cada vez mais concreto que Portugal possa ser a terceira economia da Zona do Euro a recorrer ao FMI (Fundo Monetário Internacional). Isso aumenta a preocupação do mercado, uma vez que a economia portuguesa tem importância maior em relação às demais que precisaram desse tipo de ajuda – Irlanda e Grécia. Apesar do noticiário adverso, os principais índices acionários europeus e norte-americanos terminaram a sessão em alta, devolvendo parte das perdas recentes.

No final do dia foi a vez da Standard & Poor’s cortar o rating soberano de Portugal em dois níveis, de “A-” para “BBB”.

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Referências norte-americanas
A agenda dos EUA também esteve em foco na sessão. O número de pedidos de auxílio-desemprego reportados nos EUA na última semana foi ligeiramente melhor do que as expectativas do mercado. O Initial Claims registrou um total de 382 mil novos pedidos na semana até 19 de março, frente às projeções de analistas que giravam em torno de 384 mil solicitações. Além disso, o indicador mostrou recuo frente ao número registrado na semana anterior, quando ocorreram 387 mil demandas, conforme os dados revisados.

Por outro lado, o número de pedidos e entregas de bens duráveis feitos à indústria norte-americana veio aquém do esperado pelo mercado durante o mês de fevereiro. O indicador Durable Good Orders exibiu queda de 0,9% no referido mês, frente à projeção de alta de 1,1%, enquanto os dados de janeiro foram revisados para uma alta de 3,6%.

Global 40
O principal título da dívida externa brasileira, o Global 40, encerrou na noite dessa quinta-feira em queda de 0,67% cotado a 134 centavos de dólar. 

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Refletindo o desempenho dos principais títulos da dívida externa brasileira, o indicador de risco Brasil calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan encerrou a 170 pontos-base.

O que é o risco-País?
Como cada governo que emite papéis no mercado externo em geral tem mais do que um título no mercado, o banco norte-americano JP Morgan decidiu criar um índice que pudesse combinar todos estes papéis e obter um indicador único, que pudesse ser usado como uma medida de risco global. 

Com isso, o JP Morgan criou, no final de 1993, o Embi+ (Emerging Markets Bond Index Plus), ou Índice de Bonds de Países Emergentes, que mede o desempenho de uma vasta carteira de países. Todos os países incluídos são emergentes, excluindo aqueles de risco menor, como muitos dos países da Europa, Ásia e América do Norte.

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Além deste índice genérico, o banco criou também um índice para cada país, incluindo apenas títulos do país em questão. Com isso, o JP Morgan criou uma medida de risco-país, que, no caso do Brasil, é medido pelo Embi+ Brasil.