Com agenda pesada e plano corporativo melhor, mercado opera sem tendência

Indicadores dos EUA trazem cautela, ofuscando bons dados do JPMorgan; PIB da China avança 6,1% no primeiro trimestre

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SÃO PAULO – Ao contrário da véspera, esta quinta-feira (16) traz um cenário corporativo mais animador, principalmente em relação aos resultados de bancos norte-americanos. Entretanto, a agenda turbulenta nos Estados Unidos contrapõe as boas notícias à expectativa cautelosa sobre novos indicadores da economia.

Respondendo a esse panorama, as bolsas europeias iniciam o dia em alta, enquanto os futuros de Wall Street registram sinais invertidos: S&P 500 e Dow Jones operam em queda, e Nasdaq 100 apresenta leve alta.

Além das referências ocidentais, o mercado também observa os dados das economias asiáticas. O PIB (Produto Interno Bruto) da China avançou 6,1% no primeiro trimestre de 2009, conforme dados do Departamento de Estatística. Segundo o Bank of New York Mellon, esta é a “pior performance trimestral desde que a série começou, em 1992” e se compara com o crescimento de 6,8% no último quarto de 2008. Já o Japão deve vender mais &iene; 17 trilhões em títulos para financiar o pacote de estímulo.

Bancos

O JP Morgan Chase surpreendeu o mercado nesta manhã após anunciar resultados melhores do que o esperado para o primeiro trimestre deste ano. Os lucros caíram 10%, passando de US$ 2,37 bilhões nos três primeiros meses de 2008 para US$ 2,14 bilhões neste ano. Dessa forma, o lucro por ação do banco atingiu US$ 0,40, acima das estimativas de ganhos em torno de US$ 0,32.

O sistema bancário norte-americano também amanheceu em meio aos rumores de que o Federal Reserve e a FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation) irão publicar detalhes sobre a aplicação do teste de estresse dos 19 maiores bancos do país dentro das próximas duas semanas, antes de divulgarem os resultados. Vale lembrar que a imprensa local já obteve informações extra-oficiais de que todas as instituições passaram no teste.

Agenda dos EUA

Embora o Livro Bege do Federal Reserve tenha sustentado a idéia de desaceleração do ritmo de declínio da economia, os Estados Unidos recebem importantes dados nesta manhã, que podem confirmar ou contrariar tal idéia.

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A começar pelos números do mercado imobiliário através do Housing Starts e Building Permits, com divulgação programada para 9h30 (Horário de Brasília). Simultaneamente, o Departamento de Trabalho do país divulga os dados do Initial Claims, que mostra os pedidos de auxílio-desemprego da última semana. Por fim, às 10h55, será anunciado o Philadelphia Fed Index, que mede a atividade industrial da região.

Europa

Na pauta do Velho Continente, ficam em destaque as discordâncias entre os membros do BCE (Banco Central Europeu) sobre qual o próximo passo a ser dado na política monetária. Na última sessão, o diretor Axel Weber afirmou que a taxa básica de juro não deve cair abaixo de 1% ao ano. No sentido oposto, outro membro do banco, George Provopoulos, defende uma queda do juro para perto de zero.

Nesse contexto, as notícias de deterioração da economia europeia acumulam-se. Nesta manhã, foi divulgado o indicador de produção industrial da região, que caiu 18,4% em fevereiro, o maior declínio da série, iniciada em 1986.

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No Brasil

No plano interno, o foco fica com a divulgação do IGP-10 (Índice Geral de Preços) referente ao período de trinta dias até 10 de abril, que marcou variação negativa de 0,71%, taxa 0,40 ponto percentual abaixo da apurada na medição anterior (-0,31%).

O mercado doméstico avalia também a aprovação da MP (medida provisória) 453/09 pela Câmara dos Deputados, autorizando o empréstimo pela União de R$ 100 bilhões ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).