Com a volta dos “doadores” de ações, OGX passa de maior alta para queda de 9,7%

Fundos passivos, que tiveram que aumentar participação em OGX com o rebalanceamento do Ibovespa, podem colocar de novo ações da empresa para aluguel

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SÃO PAULO – O movimento de euforia nas ações da OGX Petróleo (OGXP3) visto após a confirmação de venda de participação para a Petronas não chegou a durar um pregão inteiro. Após subirem 9,74% no seu melhor momento desta quarta-feira (8) – quando chegaram a valer R$ 2,14 -, os papéis da petrolífera de Eike Batista fecharam com a mesma variação, só que negativa(-9,74%), liderando as perdas do Ibovespa, cotados a R$ 1,76.

A mudança de humor deve-se à volta dos “doadores” de ações da OGX ao mercado. Conforme explicou o operador de um banco internacional que não quis se identificar, os fundos passivos lastreados no Ibovespa – que têm como objetivo replicar o desempenho do benchmark – tiveram que comprar uma forte quantidade de ações OGXP3 para se adequar ao rebalanceamento do Ibovespa, retirando estes papéis do mercado no final da semana passada. Como o período para a ação cair na custódia destes fundos é “D+3”, estas ações podem voltar ao mercado de aluguel a partir desta quarta-feira.

Explicando passo a passo o processo: na semana passada, a BM&FBovespa divulgou a nova carteira teórica do Ibovespa que vigorará de maio até agosto. Nessa nova composição, a OGX viu sua participação mais do que duplicar em relação ao portfólio visto no final de abril, voltando a deter cerca de 5% de participação. Dessa forma, os fundos classificados como Ibovespa Passivo tiveram que adquirir uma enorme quantidade de ações da empresa para se manterem alinhados ao movimento do benchmark.

Como o período para que a ação caia na custódia é de três dias úteis, estas ações chegariam nas carteiras dos fundos nesta quarta-feira até às 16h – horário de liquidação das custódias -, explica o operador. “Os fundos passivos têm sido os maiores doadores de OGX para o banco de aluguel, assim a partir desta quarta-feira pode ficar mais fácil e mais barato tomar a ação emprestada”, diz a fonte.

Aluguel “esbarrou” no limite
Vale lembrar que na véspera os papéis OGXP3 se aproximaram do limite máximo permitido para posições alugadas, tornando mais difícil e mais “caro” o processo para o investidor que quer apostar na queda das ações – geralmente, quem toma uma ação alugada acredita que este ativo valerá menos no futuro. Na última sessão, o empréstimo com OGX chegou a 346,5 milhões de ações, apenas 30 milhões a menos que o limite estabelecido pela BM&FBovespa – e que representa 30% das ações em circulação no mercado. 

O aluguel de ações faz parte de uma operação realizada por investidores que pretendem ficar “vendidos” em um ativo, ou seja, acreditam que o preço da ação vai cair. O investidor aluga determinada ação e, em seguida, vende o mesmo papel no mercado à vista. Após um prazo estabelecido, esse investidor – que é chamado de “tomador” do papel alugado – é obrigado a devolvê-lo ao dono, o “doador”, e pagar a remuneração (taxa do aluguel) fixada previamente.

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“Essa queda de hoje tem tudo a ver com isso [a volta dos doadores de ações para o mercado], porque agora vai ficar muito mais barato operar vendido”, diz o operador. Durante a tarde, a taxa para tomar OGXP3 alugada chegou a bater o patamar de 100% ao ano. Segundo o responsável pela mesa de aluguel de ações de uma corretora, as negociações para aluguel destes ativos ações da empresa fechadas por eles giraram em uma média de 40% ao ano.

Venda para a Petronas foi boa ou ruim?
Durante a manhã, os papéis da petrolífera chegaram a ter forte alta de 9,74%, refletindo a confirmação da venda de 40% das concessões dos blocos BM-C-39 e BM-C-40, localizados na Bacia de Campos, por US$850 milhões para a estatal da Malásia, Petronas. A notícia já vinha sendo especulada pelo mercado desde o final da semana passada.

Apesar da euforia inicial dos investidores, os analistas que acompanham o setor de petróleo e gás não se mostraram entusiasmados com a venda. Um dos mais céticos foi a equipe do Credit Suisse: segundo análise deles, o preço pago pela Petronas na participação da OGX implicaria em um valuation de R$ 0,56 para a ação OGXP3 (saiba mais em: Acordo com Petronas alivia OGX, mas não salva; preço da venda não agrada).


Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers