Com a bolsa em queda, garimpar boas small caps ficou mais difícil

Escolha das melhores oportunidades é dificultada com tendência negativa da bolsa; veja dicas de como encontrá-las

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SÃO PAULO – Na esteira das perdas do mercado acionário brasileiro em 2011, as small caps diminuíram o forte ritmo de crescimento que vinham apresentando nos últimos anos, com o SMLL – Índice de small caps da BM&F Bovespa – em queda de 1,61% desde janeiro. Apesar disso, a percepção dos especialistas sobre esta classe de ativos é de que o cenário ainda continua atraente no longo prazo – afinal, o Ibovespa acumula baixa de mais de 6% no mesmo período. Mas garimpar as melhores oportunidades tem se tornado uma tarefa cada vez mais difícil.

“O mercado como um todo está em um momento muito difícil. No caso específico das small caps, também. O investimento em bolsa sempre tem que ser feito com um horizonte de maturação de médio ou longo prazo. No caso das Small Caps, isso é ainda mais verdade, porque o grande apelo delas está no ritmo de crescimento”, avalia o diretor de renda variável do HSBC Global Asset Management, Eduardo Favrin.

Segundo o executivo, existem vários “pontos de sedução” das small caps, sendo que o mais emblemático deles é o ritmo de crescimento, que é em geral muito superior ao de uma empresa maior. Porém, de acordo com Favrin, esse nível de expectativa de crescimento, em alguns casos, arrefeceu em relação ao que o mercado vinha trabalhando nos anos anteriores, o que também explica em parte a performance negativa do SMLL neste ano.

Dica: olhe sempre para o longo prazo
Em meio a este cenário, o diretor do HSBC avalia que é preciso sempre pensar no longo prazo antes de escolher uma small cap para investir, uma vez que esse ritmo de crescimento precisa de alguns trimestres para se provar verdadeiro. “Se você quiser saber qual é o prazo que deveria investir em small caps, eu diria algo perto dos 18 meses. Eu invisto hoje esperando realmente fazer uma diferença em um horizonte de 18 meses. Esqueça decisões de curto prazo para esta classe de ativos, porque as chances de você se frustrar é grande”, disse.

O gestor do Fundo de Investimento Bogari, Flávio Sznajder, por sua vez, também acredita que é preciso ter foco no longo prazo ao comprar ações de small caps, mas, além disso, é necessário que o investidor conheça a empresa que ele vai investir e esteja a par de seus fundamentos.

“Com certeza está mais difícil de garimpar as melhores opções de small caps baratas e a dica que eu posso dar é tomar muito cuidado para não comprar ativos de baixa qualidade. Você tem que procurar por ativos que tenham algum mérito na história, que estão crescendo ou realmente poderão voltar a crescer em algum momento”, avaliou Sznajder.

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Segundo o gestor, o grande problema é que quando a economia está muito forte as empresas de pior qualidade tendem a ser aquelas que melhoram mais rapidamente seus resultados, então, as pessoas começam a achar que as ações estão baratas e as compram. Porém, assim que a economia “der uma travada”, essas empresas também tendem a piorar seus resultados mais rapidamente, de acordo com Sznajder.

“Então, tem que tomar muito cuidado nestes momentos para não investir em ativos de muito baixa qualidade e que não tenham grandes méritos de investimento no longo prazo e achar que aquele negócio é muito bom”, disse o gestor do Fundo Bogari.

As apostas dos especialistas
Para Marco Saravalle, da Coinvalores, os investidores devem apostar em ações de empresas ligadas a setores estratégicos do mercado nacional, aqueles que estão mais bem posicionados para comandar o crescimento da economia nos próximos anos. “O investidor tem que ter uma ação de autopeças. As grandes montadoras têm investido no País como nunca antes na história. Dentro deste segmento, temos preferência aos papéis da Randon (RAPT4)”, disse.

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O analista da Coin também revela que o segmento de infraestrutura é outro que merece atenção. “Nesta área, gostamos bastante da Mills Engenharia (MILS3) e da EcoRodovias (ECOR3)”, afirmou. Saravalle ressalta ainda que a Coinvalores também aposta em outras small caps, como a Sul América (SULA3). “A nossa recomendação é sair um pouco das blue chips e investir em ações que estejam posicionadas para acompanhar o crescimento da economia brasileira”.

Já Sznajder disse que há alguns anos a Helbor (HBOR3) é a maior posição do Fundo Bogari dentre as empresas de menor porte. “Temos resultados muito bons com isso”, disse. “A gente também tem ações da Tempo Participações (TEMP3), cujos processos já estão bem melhores e a empresa está bem mais alinhada, então, a gente acredita que uma hora a empresa irá voltar a ter um resultado bastante interessante. Pode demorar um pouquinho mais, ou um pouquinho menos, mas em algum momento ela irá voltar e terá um bom retorno sobre o capital”, completou. A Grendene (GRND3) é outra aposta de Sznajder entre as small caps.

Segundo Favrin, do HSBC, além das atuais opções de small caps na bolsa brasileira, o investidor também deve ficar de olho nas novatas no mercado. “Muitas das novas empresas que estão abrindo capital e das que se colocam como possíveis candidatas a abrir o capital podem ser enquadradas como small caps. Essa é uma classe de ativos que a gente imagina que vamos ver cada vez mais ofertas para serem selecionadas no mercado”, concluiu.