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Mesmo assim, a enorme taxa de juros não está sendo suficiente para conter a valorização da moeda americana. Um dos motivos são os fundos internacionais que estariam desmontando operações de “carry trade”.
O “carry trade” é equivalente a tomar um empréstimo em uma moeda fraca e com juros baixos, para investir os recursos em uma moeda forte e com juros altos. Como havia, anteriormente, um cenário de enfraquecimento do dólar em âmbito mundial, dado aos excessos praticados no orçamento e na negativa conta da balança de pagamentos dos Estados Unidos, esses fundos tomavam empréstimos em dólares e investiam em ativos denominados em reais, tais como títulos do governo brasileiro, ações e operações estruturadas com derivativos. Agora os fundos estão na rota contrária: comprando dólares e vendendo ativos denominados em reais.
| “Se houver amparo para queda das commodities, teremos sustentação a baixa do real” |
Voltando um pouco no tempo temos o efeito “subprime”, que reduziu o valor de vários títulos hipotecários securitizados que faziam parte do balanço contábil da maioria das instituições financeiras mundiais. A baixa contábil desses ativos reduziu a capacidade de crédito do mercado, tirando ainda mais suporte para a manutenção dos preços dos ativos. É importante salientar que o “mercado” utiliza-se de crédito para montar posições, e tendo um cenário de estreitamento da capacidade de empréstimo, é natural uma queda de preços por força da liquidez.
O crédito apertado e a redução do valor das garantias acarretaram a necessidade de desalavancagem desses mesmos fundos, levando-os a desmontarem no cenário mundial operações baseadas em compra de commodities e venda de dólares, ocasionando uma apreciação do dólar. Afinal eles tinham que comprar os dólares vendidos e vender as commodities compradas.
A queda na cotação das commodities nos mercados futuros mundiais, conceitualmente traz à tona um entendimento de enfraquecimento da economia brasileira, já que somos exportadores primordialmente desse tipo de produto. Sendo assim, em teoria econômica temos que nossos termos de trocas reduzir-se-iam já que receberíamos menos reais por produto vendido, e conseqüentemente diminuindo o superávit das contas nacionais.
Obviamente, como vivemos em um mundo globalizado e com livre movimentação de recursos, é natural depreender-se que grande parte da valorização do real foi ancorada no binômio: preços ascendentes de produtos exportados + alta taxa de juros doméstica, verticalizando os ativos brasileiros. Agora, com a atual mudança do cenário, é natural incorrermos no processo inverso, desvalorização dos ativos e da nossa moeda denominados em reais.
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A dúvida que fica é até aonde esse processo irá, já que restam questões sobre a mesa: reduziu a demanda por petróleo, minerais e produtos agrícolas?
Até agora ainda não temos essas respostas, que só virão se for configurada uma redução do crescimento mundial. Respostas para essas questões estarão na divulgação dos PIBs dos Estados Unidos, Europa e China. Se realmente tivermos índices de redução de crescimento nessas economias teremos amparo para redução dos níveis de preços das commodities e aí sim, poderemos ver uma sustentação econômica para uma desvalorização do real, até então o que estamos vendo são desmonte de operações conjugadas.
Marcelo Faro é gerente de Negociação Eletrônica da Intra Corretora e escreve excepcionalmente na InfoMoney, às terças-feiras.
marcelo.faro@infomoney.com.br