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Na conjuntura atual os fatores históricos voltaram a mostrar as suas evidências. Abaladas pela recente crise econômica mundial, as economias centrais estão apresentando dados sócio-econômicos preocupantes. As taxas de desempregos alcançaram níveis alarmantes e os sinais de recuperação apontam somente para o longo prazo. Movidas pelas engrenagens do livre mercado, a partir de setembro de 2008, estas economias se viram obrigadas a pedir ajuda aos seus governos, caso contrário entrariam em colapso.
Aproveitando os fatores positivos do capitalismo e o poder engendrado pelo regime autoritário comunista, a China está tornando-se uma economia cada vez mais de mercado. Porém, o modelo econômico que está sendo contruído pelos chineses pode ser considerado como o mais agressivo de todos os tempos. Em seu artigo escrito no New York Times, Paul Krugman alertou para o mercantilismo predatório praticado pela China:
“Ao contrário do dólar, do euro, cujos valores flutuam livremente, a moeda da China é fixada em 6,8 yuans por dólar. Com essa taxa de câmbio, a indústria chinesa tem uma grande vantagem de custo em relação a seus rivais, o que leva a enormes superávits.
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“Não é justo o mundo |
Em circunstâncias normais, a entrada de dólares resultante desses superávits faria a moeda chinesa se valorizar, a menos que isso fosse compensado pelo movimento de investidores privados no sentido contrário. E os investidores privados estão tentando entrar na China, não sair. Porém, o governo da China restringe o ingresso de capitais, mesmo que compre dólares e os mantenha no Exterior, aumentando um estoque de reservas em moeda estrangeira que já supera US$ 2 trilhões.
Os chineses se recusam a admitir o problema. Muitos países estão adotando (modestas) medidas protecionistas, justamente porque a China se recusa a deixar sua moeda subir. E, mais medidas desse tipo são totalmente apropriadas”.
A industrialização chinesa foi favorecida pela combinação da oferta de mão de obra -abundante e barata -, além da expansão do consumo mundial. Somado a isso, o governo comunista centralizador estruturou os mercados bancário, imobiliário, de capitais e de juros, a fim de dinamizar sua estrutura financeira.
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Com uma produção industrial intensa, a China avançou numa velocidade impressionante na participação da corrente comercial mundial através da oferta gigantesca dos mais variados produtos. Tornou-se o principal parceiro mundial das economia desenvolvidas, como os EUA, oferecendo bens industrialisados a preços baixíssimos, e também conquistou a corrente frente aos emergentes como demandantes de commodities, como a soja e o minério-de-ferro brasileiro.
Aproveitando dos vultuosos superávits comerciais, a China direcionou este capital para a formação das suas reservas internacionais, as quais são consideras as maiores do mundo. Na composição dos seus ativos encontram-se em maior parte os títulos do tesouro norte-america e o ouro. Diante do tamanho das suas reservas, que serve como um colchão de proteção, o governo conseguiu impor a sua mais radical política monetária: o câmbio fixo.
Ciente da competitividade da sua mão-de-obra barata e da proteção financeira das suas reservas, os chineses impuseram um câmbio controlado a mão de ferro nas suas relações comerciais com o mundo. Com isso, a China consegue manter os preços competitivos destruindo praticamente a competitividade das indústrias de outros países. E os sinais de desindustrialização podem ser observados desde o Brasil até os EUA.
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Diante das distorções causadas na economia mundial pela China, pergunta-se: até que ponto o mundo aceitará as ações predatoras da China? Do ponto de vista econômico, os fluxos financeiros e econômicos tendem a se ajustar quando ocorrem imperfeições nos mercados. Contudo, os ajustes ocasionam sangrias nas economias como desemprego e queda da renda. E a história nos mostrou que a redução da riqueza das nações é o principal ingrediente para os conflitos.
Com a desindustrialização em curso no mundo promovida pela China não resta dúvida que as principais economias mundiais vão buscar alternativas para barrar e limitar o avanço chinês, e as primeiras medidas refletiram no aumento do protecionismo dos países prejudicados. Não é justo o mundo aceitar as regras que a China está impondo. Caso se prossiga, veremos um colapso no comercial mundial, com a China ditando a formação dos preços das commodities e de bens industrializados.
O futuro da economia mundial circundará sobre os espaços conquistados pela China. Com o posto de segunda economia em vista, ultrapassando o Japão, e de maior exportadora, superando a Alemanha, a posição chinesa gera preocupações importantes para o resto do mundo, pois tornará a divisão do comércio internacional concentrada e centralizada.
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A estabilidade social maquiada pelo Governo desperta grandes desconfianças e a necessidade de manter o equilíbrio interno gera incertezas sobre até que ponto haverá forças para conter uma insatisfação popular. Diante dos fatos, os riscos da economia chinesa são incalculáveis.
A pergunta que se faz é até que ponto as economias aceitarão as regras da China? Distorcidas e injustas existirá um momento em que as nações vão exigir regras claras, pois a China precisa do mundo muito mais do que o mundo precisa da China.
Nenhuma nação sobreviveu praticando regras injustas. Nenhuma economia sobreviveu sem condicionar uma melhora no bem-estar social da sua população. E nenhum povo aceitou cercear os seus direitos democráticos. E é por isso que a China comunista-capitalista logo entenderá as regras do jogo.
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Ricardo André Jacomassi é responsável por análises setoriais das commodities agrícolas na LAFIS Consultoria Econômica e escreve mensalmente na InfoMoney.
ricardo.jacomassi@infomoney.com.br