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Condutores da política monetária em diversos países utilizam a teoria da sinalização como mais um instrumento para estabilizar a economia. Quando o banco central anuncia uma meta de inflação, não é somente porque o nível geral de preços corrói o poder de compra dos consumidores. Ao mesmo tempo, não deve se esquecer que existem demandantes, mas também ofertantes.
Ao empresário, é importante a estabilidade do nível de atividade, pois lhe permite maior precisão na hora de realizar projeções sobre comportamento das variáveis econômicas que lhe interessam. E por que é tão importante para o empresário reduzir a margem de erro de suas previsões? Para que não haja surpresas quando da maturação de seus investimentos.
| “Existia uma bolha no mercado de commodities” |
Quando se realiza um investimento, a motivação é a expectativa de retorno dada uma demanda esperada no futuro. Porém, existe uma probabilidade não desprezível de que, ao término das obras, a situação da economia seja bem diferente daquela imaginada no ato do investimento, tanto para melhor… ou pior, e a inflação é um componente que gera instabilidade em uma economia através da “indexação dos salários”.
Ou seja, se a inflação esperada for igual a 5%, os funcionários irão pedir um reajuste equivalente. Como a mão-de-obra é um custo, a elevação desta levará a um reajuste de preço, de modo a manter a margem do produtor. Este processo leva a um fenômeno que os economistas denominam de espiral inflacionária. Portanto, para o empresário que deseja investir, a inflação futura pode fazer com que os custos sejam maiores do que os previstos no início do projeto.
Nos últimos três anos, companhias financeiras, como hedge funds e bancos de investimento, ao previrem que os preços das commodities subiriam por conta da elevação da demanda mundial, começaram a atuar no mercado, levando a uma distorção de preços. Hoje em dia, pode-se afirmar que existia uma bolha no mercado de commodities, e que, sim, os preços estavam exageradamente distorcidos. O preço do barril do petróleo caiu de US$ 140 para US$ 60 na bolsa de Nova Iorque. Na bolsa de mercadorias e futuros de Chicago, o preço do milho (por bushel) despencou de US$ 700 para US$ 380, o mesmo ocorrendo com os preços de soja e trigo. Não há nada de incomum em desequilíbrios no curto prazo, porém, desta vez, houve um certo exagero.
Como é possível as firmas que utilizam o petróleo como insumo realizarem hedge se o preço possuía alta volatilidade? Valia a pena investir em poços de petróleo (cujo custo de extração hoje é muito alto)? Sim se o preço se mantivesse acima de US$ 60 – US$ 70, segundo algumas estimativas. Porém, o fato é que poucos analistas tinham convicção em suas previsões e, portanto, não conseguiam acertar a direção do preço.
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Se você possui uma empresa esmagadora de soja em grão, e solicita para que profissionais analisem a que preço de soja é compensador construir a fábrica, até somente alguns meses atrás, as conclusões seriam de que não valeria a pena despender capital na esmagadora, pois o custo do insumo era alto demais. Entretanto, hoje em dia o atual preço talvez torne o empreendimento atrativo. Mas então surge uma segunda questão. Haveria demanda para o seu produto?
Saindo do campo hipotético e migrando para o mundo real, muitos economistas apostam na recuperação da economia norte-americana a partir do segundo semestre de 2009. O problema é que a situação atual não permite que o investidor acredite que a reativação realmente venha a partir de julho do ano que vem. Quando é que a taxa desemprego vai parar de subir? Quando é que os bancos irão voltar a irrigar a economia com crédito? E se houver uma recuperação do nível de atividade, qual seria o novo preço das commodities?
Meu objetivo aqui é o de gerar uma discussão. Será que vale a pena regular o setor financeiro, de modo a garantir uma certa estabilidade e melhorar o sistema de sinalização para o setor real da economia? Ou será que se deve manter o mercado desregulado, de modo que períodos de alta volatilidade se repitam, e naturalmente haja um ajuste, como está ocorrendo hoje? Para os defensores de um mercado menos regulado, não se pode esquecer que tão imprevisível quanto as bolhas são as conseqüências do estouro destas sobre a economia. Por que será que o banco central americano e o Tesouro estão se esforçando tanto para debilitar os efeitos negativos da crise financeira?
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Chau Kuo Hue é economista e escreve mensalmente na InfoMoney, às quartas-feiras.
chau.hue@infomoney.com.br