Colunista InfoMoney: Seis passos, análise comparativa de estratégias com opções

Estratégia pode ser de baixa, de alta ou sem tendência; há vários fatores envolvidos na escolha melhor estratégia

Por  Luiz Roge

Existem as mais variadas estratégias que podem ser confeccionadas com opções sobre ações. Mas existe uma dúvida: qual delas é a melhor? Qual é a estratégia vencedora?

Dentro de uma perspectiva mais ampla e genérica, é possível definir três grandes grupos de estratégias em função dos movimentos esperados do preço do ativo-objeto da opção. Dessa forma, para um mercado de alta existe o grupo das estratégias de alta. Já para um mercado sem tendência definida, o grupo das estratégias de compra ou de venda de volatilidade. Por fim, para um mercado de baixa, as estratégias de baixa.

É possível encontrar exemplos detalhados e a categorização das estratégias passíveis de serem realizadas dentro de cada um desses três grandes grupos de estratégias nos livros e manuais editados sobre a matéria(1).

O objetivo desse artigo será discutir em linhas gerais como é possível avaliar qual a melhor estratégia dentro de qualquer um dos três grupos de estratégias; seja dentro do grupo das estratégias de alta, de volatilidade ou de baixa. É importante ressaltar que essas estratégias podem ser consideradas concorrentes, uma vez que se busca a melhor delas.

Entretanto, a resposta à questão de qual é a melhor estratégia não é trivial. Irá depender da comparação entre as estratégias alternativas, ou concorrentes. E para compará-las, será necessário saber quais os passos mais importantes ou vitais para que essa comparação seja feita de maneira adequada.

O primeiro passo é comparar os valores envolvidos nas estratégias. Por meio deles, pode-se avaliar qual é o valor em risco (de forma simples, o montante sobre o qual incide o risco de perda) definido na confecção de cada uma das estratégias e os montantes necessários para realizá-las.

“Risco-retorno da
estratégia pode ser
feito com comparação
entre probabilidade
de perda e de ganho”

O segundo passo é definir qual o risco operacional para a montagem de cada uma das estratégias concorrentes. Dependendo da complexidade da montagem da estratégia, há o risco de que ela não seja realizada nos preços originalmente planejados ou desejados.

Algumas estratégias possuem estruturas mais simples como, por exemplo, a compra de uma opção de compra que envolve apenas “uma perna” na operação. Já outras estratégias possuem estruturas mais complexas como, por exemplo, uma trava ou spread de alta que envolve “duas pernas” na operação.

O terceiro passo é projetar isoladamente e depois, em conjunto, os gráficos e fluxos de resultados projetados para as estratégias em vários momentos do tempo – desde a sua realização na data zero (e em intervalos regulares de tempo) até a data de vencimento prevista para os contratos de opções.

Por meio da visualização dos gráficos e de seus fluxos de resultado é possível perceber rapidamente as regiões de preço para o ativo-objeto onde cada estratégia concorrente possui o melhor resultado e em que momento essa situação poderá, eventualmente se inverter. Ainda dentro desse tópico, está implícita a análise sobre o movimento direcional do ativo, também chamado de risco direcional, para avaliar qual a perda potencial envolvida em cada uma das estratégias elencadas – as chamadas regiões de lucro e de perda passíveis de acontecer quando do vencimento das estratégias.

Vale lembrar que estamos tratando da comparação de estratégias dentro de um mesmo grupo, como as estratégias de alta, de volatilidade ou de baixa. Dessa forma, muitas vezes é necessário utilizar-se de uma sintonia fina para perceber as diferenças existentes entre elas.

O quarto passo é fazer o estudo das gregas consolidadas de cada estratégia em particular para, em seguida, fazê-lo conjuntamente. Essa análise comparativa permite quantificar qual é o grau de sensibilidade de cada uma das estratégias concorrentes às variações dos fatores ou componentes do apreçamento das opções: preço do ativo-objeto (delta e gamma); volatilidade implícita das opções (vega); prazo para o vencimento (theta) e taxa de juros (rho) em vários momentos do tempo. Portanto, pode-se saber qual é o impacto – ganho ou perda financeira – nas estratégias, decorrente da variação em cada um desses componentes ao longo de suas vidas.

O quinto passo consiste em realizar a comparação das estratégias através da técnica de construção do chamado portfólio long-short para pares de estratégias. A construção desse portfólio irá permitir que se compare diretamente via gráficos e fluxos de resultados, como se comporta o portfólio “sintético” (chamado de long-short) ao longo do tempo.

Deve-se ter em mente que a construção desse portfólio permite confrontar diretamente duas estratégias concorrentes, tanto sob a perspectiva dos resultados projetados para vários momentos no tempo, quanto sob o enfoque do impacto causado pelas gregas do portfólio em seu resultado.

Por fim, o sexto passo envolve a análise de risco e retorno das estratégias. Deve-se analisá-las separadamente para, em seguida, fazê-lo por meio do portfólio long-short criado. A avaliação do risco-retorno das estratégias pode ser feita através da comparação entre as suas probabilidades estimadas de ganho e de perda.

Para isso, basta calcular a probabilidade do preço da ação permanecer na região de lucro da estratégia, em contraposição à probabilidade dele se situar fora dessa região – região de perda – no vencimento da estratégia. Dessa forma, obtém-se uma razão que permite avaliar a relação existente entre a chance de ganho e a chance de perda na estratégia, de forma que quanto maior for a razão obtida, melhor será para a estratégia caracterizada como “long” no portfólio.

Em breve, essa coluna terá oportunidade de analisar duas populares estratégias concorrentes: compra de opção de compra X venda coberta. Elas serão comparadas detalhadamente, por meio da utilização desse roteiro de análise.

(1)vide Ferreira, Luiz F. R., Mercado de Opções – A Estratégia Vencedora, Editora Saraiva, 2009, p. 243 – Apêndice 1.

Luiz Roge é economista e diretor executivo do site www.investcerto.com.br  
luiz.roge@infomoney.com.br
 

 

 

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