Colunista InfoMoney: Saindo do túnel???

As notícias começam a evidenciar perspectivas mais cristalinas de afastamento da crise e a modificar o temperamento dos agentes econômicos
As notícias começaram a evidenciar perspectivas mais cristalinas de afastamento da crise e ao mesmo tempo a modificar o temperamento dos agentes econômicos que agora começam a retemperar seu incansável discurso de desânimo dos últimos meses…

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Para começar, no Brasil, a um auditório repleto de micro, pequenos e médios empresários, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, discursou acerca da trajetória da crise e das medidas que estão sendo tomadas pelo governo, durante o fórum “O impacto da crise financeira na micro, pequena e média indústria”, realizado na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Ele afirmou que a crença do governo é de que o Brasil saia bem fortalecido da crise. Diga-se de passagem, o nosso País agora passa a ser disparado o preferido dos grandes investidores no que diz respeito aos BRICs!!!

E lá fora, o apetite revigorado para compra de ações deve-se à percepção predominante de que a involução máxima nos níveis de produção e demanda no mundo já foi atingida. Os sinais que monitoram as economias ao redor do planeta estão se encaixando e, gradualmente, vai sendo montado o quebra-cabeça. Os dados oriundos do Japão, dos EUA e da China, na semana passada, foram interpretados positivamente e vistos como inter-relacionados

“Medidas mais efetivas surgirão para debelar os problemas”

Nesse sentido, a economia dos Estados Unidos acabará com um sentimento de “queda livre” em alguns meses, à medida que os pacotes de estímulo do governo e os esforços para recuperar a economia se concretizam e os estoques voltam ao normal, disse o conselheiro da Casa Branca, Lawrence Summers. Ele acrescentou, no entanto, que ainda não está claro em que velocidade a economia voltará a crescer. “Eu acho que o sentimento de uma bola caindo fora da mesa, que é o que a economia tem sentido (…), podemos estar razoavelmente confiantes de que isso está caminhando para o fim em alguns meses”, disse.

Até o suíço Marc Faber, consultor de investimentos que ficou conhecido como o arauto da “Segunda-feira negra”, por ter aconselhado seus clientes a saírem das ações norte-americanas semanas antes do “crash” de 1987, fez seus prognósticos sobre o mercado na atualidade. Faber acredita que o índice S&P 500, que nas últimas semanas valorizou mais de 24%, deve registrar uma correção de 10%, caindo para a faixa dos 750 pontos para, depois, sinalizar a recuperação a partir de julho.

Diferente dos mercados tradicionais, como o norte-americano e o europeu, as bolsas da América Latina engataram neste primeiro trimestre uma alta significativa, movimento chamado de Bull Market. Segundo o Citigroup, o índice MSCI Latin America, que reúne as principais empresas da região, ultrapassou seu canal de cinco meses traçado, e agora localiza-se em um ponto acima.

Diante deste desempenho, a equipe do banco norte-americano não reluta em afirmar: o próximo Bull Market já está começando na América Latina e deve durar pelo menos cinco anos. Por isso, o banco, por agora, reiterou sua recomendação “neutra” para o Brasil – “nosso mercado favorito no longo prazo” – e de “underweight” (abaixo da média) para o México.

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Por fim, para mostrar serviço e traçar alicerce seguro na coibição de excessos, nos próximos 60 dias, investidores e analistas poderão se manifestar em relação às cinco propostas – que variam do retorno da regra antiga até a criação de uma nova que poderá ser aplicada em severas condições para limitar as vendas a descoberto – que foram colocadas em audiência pública pela Securities and Exchange Commission. Na primeira proposta, que parece ser a principal, a SEC considera o retorno da uptick rule, que vigorou por 70 anos até ser desconsiderada em 2007. Essa regra só permite vendas a descoberto caso a operação anterior tenha elevado o preço da ação no mínimo em US$ 0,01.

A segunda é parecida: permite o descoberto caso seja feito num preço acima da maior oferta de compra disponível, mesmo que nenhuma transação tenha sido registrada neste preço. A terceira, também é semelhante, só que baseada na oferta de compra e após uma pronunciada desvalorização do papel. As outras duas, chamadas de “testes de circuit breaker”, limitariam a venda a descoberto de uma ação específica por um pregão, depois de acionados certos gatilhos de preço. Numa delas, existe a possibilidade de a venda a descoberto ser suspensa até o final do pregão, caso o preço da ação tenha caído acima de um determinado percentual. Na outra, a antiga uptick rule seria aplicada, com base no último preço disponível de venda, somente após essa forte queda da ação.

Como visto, lentamente, as propostas para sairmos do enorme emaranhado econômico começam a fazer frente ampla em unanimidade nunca vista e fica patente que doravante, medidas cada vez mais efetivas surgirão para debelar definitivamente os problemas que tanto perturbaram o crescimento global… é só apostar!!!

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Gil Ari Deschatre é professor da FGV e do Ibmec e escreve mensalmente na InfoMoney, às segundas-feiras.
gil.deschatre@infomoney.com.br