Colunista InfoMoney: Quanto vale Kaká?

Jogadores de futebol passaram a ser opção de investimento para grandes investidores; avaliados economicamente como os demais ativos financeiros
Semana passada foi confirmada a venda do Kaká, meio-campo da seleção e do Milan, para o Real Madrid da Espanha. Pelo noticiário, o negócio vai envolver o montante de cerca de R$ 180 milhões, um dos maiores da história do futebol.

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Por ser o clube que formou o jogador, o São Paulo terá direito a 5% da transação, ou seja, cerca de R$ 9 milhões. O curioso é que isto equivale à metade do valor recebido pelo clube paulista quando negociou Kaká com o Milan, em 2003. Em outras palavras, o São Paulo vendeu Kaká por 10% do que ele vale hoje.

O São Paulo vendeu mal o atleta naquela época? Ou foi o Milan que soube vender muito bem o jogador? Nem um nem outro. Conforme a revista Veja reportou algumas semanas atrás, o negócio de comercialização de jogadores de futebol passou a ser algo altamente lucrativo quando algumas promessas juvenis se tornam craques profissionais. Portanto, jogadores de futebol passaram a ser opção de investimento para grandes investidores e algumas empresas.

“A negociação de Kaká pelo São Paulo foi o valor justo pelo jogador na época”

Os jogadores, então, passaram a ser considerados como ativos na carteira de investimento destes agentes do mercado e, portanto, passaram a ser avaliados economicamente como os demais ativos financeiros. Ou seja, o preço de um ativo (jogador) deve ser equivalente a toda sua valorização futura esperada, descontado no tempo por uma taxa que reflita todos os riscos desta valorização se frustrar, que no caso de um jogador de futebol, são nada desprezíveis.

Sob este aspecto, é perfeitamente razoável supor que a negociação de Kaká pelo São Paulo, no passado, por 10% do que ele vale hoje foi o valor justo pelo jogador na época. É só ponderar que em 2003 Kaká ainda era muito jovem e só tinha provado seu talento enfrentando basicamente times brasileiros, em campeonatos regionais e nacionais.

Levá-lo para o ambiente altamente competitivo de um campeonato europeu, com todas as incertezas se ele se adaptaria ao estrangeiro, ao estilo do futebol e à pressão, eram todos riscos que certamente foram considerados em sua valoração, tornando-a mais baixa.

Hoje, superadas todas estas incertezas, sendo um jogador de primeira linha, já eleito como melhor do mundo, restam poucos riscos que podem afetar os rendimentos que Kaká pode trazer para seu clube e investidores. Logo, são poucos os descontos que afetariam seu preço, que merecidamente é alto.

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Só esperamos que vencer mais uma Copa do Mundo esteja na projeção de fluxo de caixa do jogador.

João Alberto Peres Brando é economista e escreve mensalmente na InfoMoney, às sextas-feiras.
joao.brando@infomoney.com.br

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