Colunista InfoMoney: operações com opções IV – mesa

Principal característica de uma mesa, muito similar à borboleta, é a alta alavancagem associada a um risco limitado

Por  Paulo C. Coimbra

Nesta terceira matéria da série de estudos de operações com opções trataremos de compra “mesa de opções de compra”, que pode ser interpretada como uma extensão de borboleta, vista na matéria anterior. A compra de uma mesa de opções de compra é uma “operação em um intervalo alvo”, pois quando é montada faz-se uma aposta que o preço do ativo subjacente não sofrerá grandes variações (positivas ou negativas) em relação ao intervalo de preços “alvo”, nas proximidades da data do vencimento.

Na prática, a montagem de uma mesa envolve quatro opções de compra (calls) com preços de exercício distintos. Consiste na compra de um lote das calls com o menor e maior preço de exercício, da venda de um lote das calls com preços de exercício intermediários, sendo que o intervalo de preços alvo é dado pelos preços de exercício das calls vendidas.

O ganho máximo desta operação é alcançado na data de vencimento das opções quando o preço da ação se aproxima do intervalo de preços de exercício das calls vendidas (que é o “intervalo alvo” da operação) e corresponde à diferença entre [a soma dos preços de exercício das calls compradas] e [a soma dos preços de exercício das calls vendidas], com a perda máxima correspondendo ao spread das calls pago no momento em que a operação é montada.

“Principal característica, assim
como a borboleta de opções,
é aliar alta alavancagem
a riscos limitados”

A principal característica de uma mesa de opções de compra, muito similar a uma borboleta de opções, é a possibilidade de se estar altamente alavancado (o que é tão mais verdade quanto menor for o spread pago no momento em que for montada a operação) associado a um risco limitado (como vimos, dado pelo spread da operação). Por se tratar de uma operação alvo, é importante estar atento ao momento mais apropriado para montá-la, que deve levar em conta o trade-off entre alavancagem e risco.

A montagem de uma mesa nas proximidades do vencimento anterior permite uma alavancagem maior, na medida em que o spread da operação é menor, devido, sobretudo, às menores chances de se acertar o “intervalo alvo” da operação (e, neste caso, maiores serão os riscos associados). Por outro lado, montar a operação nas proximidades do seu vencimento está associado a uma alavancagem menor, devido à elevação do spread da operação na medida em que aumentam as chances de acertar o “intervalo alvo” da operação (e, neste caso, menores serão os riscos associados).

Assim como no caso de uma borboleta, dentre os fatores que estão associados a uma elevação do spread de uma mesa, podemos destacar: i) no momento em que a operação estiver para ser montada, o maior spread será observado na mesa em que o intervalo de preço “alvo” estiver mais no dinheiro; ii) independente de como foi montada a mesa, quanto mais próximo estiver o preço à vista da ação do “intervalo alvo” da operação nas proximidades do vencimento, maior será o spread; e iii) quanto menor for a volatilidade (oscilação) do preço da ação, maior será o spread, pois reduzirá o valor extrínseco das opções (menor volatilidade, menor risco e, conseqüentemente, maior o spread). Vale destacar, também, que as oscilações no preço à vista da ação tendem a se refletir em maiores oscilações no spread da operação quanto maior for a proximidade do vencimento, o que se deve à queda nos valores extrínsecos das opções.

Por se tratar de uma operação envolvendo calls, é importante lembrar que numa compra de uma mesa corre-se o risco de se perder todo o capital investido, o que ocorre quando, na data do vencimento, o preço da ação à vista estiver fora do intervalo compreendido entre os preços de exercício das calls que foram compradas. Por isso, é recomendável que, antes de se montar esta operação, se tenha em mente a importância do gerenciamento de risco que, no caso da compra de uma mesa, consiste em estipular a perda máxima que se está disposto a incorrer, i.e., qual deve ser o stop (em relação ao spread da mesa) da operação.

Paulo C. Coimbra é doutor em Economia na EPGE/FGV, professor da FUCAPE e FGV e escreve mensalmente na InfoMoney.
paulo.coimbra@infomoney.com.br
 

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