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Nos anos 60, o cineasta sueco Ingmar Bergman dirigiu o filme “O sétimo selo”, uma de suas obras-primas. Neste, a morte jogava xadrez com um cavaleiro na Idade Média. Uma referência às questões da morte e da presença de Deus na vida dos cavaleiros das cruzadas.
Não vivemos algo tão distante hoje nos mercados financeiros. Temos um embate dos mais complexos para ser digerido pelos investidores. De um lado, na figura do salvador da pátria, a economia norte-americana passou a gerar resultados bastante positivos, com o mercado de crédito e do trabalho dando sinais de renascimento. Os lucros das empresas surpreenderam positivamente os agentes de A a Z. A combinação de juro básico próximo a zero, lucros baixos e propensão a consumir gera otimismo em muitos analistas.
Do outro lado, a sombra do guardião das trevas vem do velho mundo. A reestruturação da dívida grega parece uma questão de tempo, e não mais se vai acontecer. O contágio parece ter atingido os patrícios. E a Espanha deve ser a próxima peça do dominó. Mais importante do que a reestruturação da dívida dos helênicos, é o prejuízo que o sistema financeiro europeu deve sentir, não só pela perda nos papéis gregos, mas pelo aumento do custo Península Ibérica.
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“Recuperação dos |
Bancos da Alemanha, França, Espanha, Inglaterra e outros centros relevantes estão bastante expostos às dívidas dos PIIGS. Logo, o risco hoje se chama (re)empoçamento da liquidez. O cenário de 2008 volta à mente de todos, quando a insegurança das instituições financeiras em relação aos seus pares foi um dos catalisadores da maior crise do pós-guerra. Ainda estamos bastante longe disso, mas não é um cenário risível.
Assim, o jogo de xadrez está à mesa. Quem será mais preponderante? A força da economia americana ou a fraqueza centrípeta da crise soberana européia? Antes de responder a esta questão, ou melhor, antes de apostar em alguma resolução, cabe respondermos a algumas perguntas: qual é o risco de empoçamento de liquidez? Caso este ocorra, quanto compromete na recuperação da economia mundial? O sistema financeiro americano seria afetado?
Respondendo de trás pra frente, nos parece evidente que, uma vez que os bancos europeus retomem à condição de ilíquidos, com as taxas de empréstimo interbancária atingindo níveis da crise, o sistema financeiro americano não ficaria imune. A crise mostrou o quão interligados estão os centros financeiros e as economias.
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Em segundo lugar, caso ocorra o empoçamento de liquidez, o ritmo de atividade esperado deve cair fortemente. Apesar de ser um dos pilares da retomada americana, ainda temos um sistema financeiro bastante frágil. Por fim, a pergunta sem resposta: haverá empoçamento de liquidez?
Não há quem responda a esta pergunta. As respostas colocadas acima são, de certa forma, condicionais a esta. Mas, a verdade é que fazer qualque prognóstico sobre o desmembramento do problema europeu é precipitado, qualquer que seja sua opinião.
O jogo não acabou. E não deve acabar tão cedo. Talvez Bergman tenha uma resposta.
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Ivo Chermont é economista da Modal Asset Management e escreve mensalmente na InfoMoney, às terças-feiras.
ivo.chermont@infomoney.com.br