Colunista InfoMoney: O que falta ao País?

Apesar da grande competitividade brasileira no setor de carne suína, até por possuir vantagens comparativas, somos apenas o quarto maior exportador mundial

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No mercado de carne suína, o Brasil possui um dos menores custos dentre os produtores mundiais. Em 2008, enquanto nos EUA o custo de produção era de US$ 0,77/kg, no Brasil conseguia-se produzir a US$ 0,75/kg. Isto contando apenas os EUA. Se comparamos com o Canadá, considerada uma grande exportadora, o custo lá é em torno de US$ 1,14/kg. Ou seja, uma diferença de 52%.

Entretanto, apesar da grande competitividade brasileira no setor, até por possuir vantagens comparativas, isto é, criação de suínos próximo à matéria-prima, assim como ocorre nos EUA, somos apenas o quarto maior exportador mundial.

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O mercado de consumo de proteínas deve crescer cada vez mais à medida que a renda per capita, principalmente nos países emergentes, tende a se elevar. Porém, nem todos os países são capazes de adequar a sua oferta à demanda, seja por limitações geográficas ou por defasagem de modelo de processo de produção.

Ou seja, o Brasil possui potencial para ser um grande fornecedor mundial de carne suína, pelo critério custo, mas talvez esteja fadado a estar atrás de países como Canadá e EUA. Por quê?

Ao se observar outros componentes de competitividade, como a taxa real de câmbio, observa-se que o Brasil perdeu sim algum espaço nos últimos anos em relação ao dólar, mas isto não se aplica para a moeda canadense. Logo, o câmbio não pode ser tratado como o mal de tudo.

“Enquanto os EUA possuem diversos acordos bilaterais, muito há que ser feito no Brasil”

Tampouco pode ser dito que o modelo de gerenciamento ou produção é mais atrasado em comparação ao Canadá ou EUA. As fábricas localizadas na região Sul do País possuem sistemas bastante modernos, tornando o País até como um dos mais produtivos no setor.

Então, o que mais pode estar afetando a competitividade do País? Ao se analisar o setor, observa-se que não estão nas estatísticas a explicação para o fato de o Brasil estar pior posicionado no ranking das exportações mundiais. Estão, sim, nos acordos comerciais bilaterais.

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Existe um grande abismo neste sentido. Enquanto os EUA possuem diversos acordos bilaterais no setor de carne suína, muito há que ser feito no Brasil. Obviamente, a questão sanitária também afeta o Brasil, mas possuímos instalações aptas para atender a critérios de muitos países, e não conseguimos habilitações por falta de mais ação governamental.

As associações de classe têm feito sua parte no processo, mas talvez envolva mais atores. Visitas comerciais e feiras de promoção são de grande valia, mas, infelizmente, nos dias atuais os acordos bilaterais são feitos com alguma compensação, e que envolve participantes do governo. Por exemplo, para abrir o mercado chinês para a carne suína seja necessário tornar os investimentos chineses no País menos burocráticos. Trata-se de uma questão que está além das funções das associações de classe.

Portanto, se o Brasil quiser elevar sua fatia no mercado mundial de carne suína, não basta somente a indústria e as associações de classe fazerem o seu papel. É necessário um empurrão do setor público.

Chau Kuo Hue é economista e escreve mensalmente na InfoMoney, às quartas-feiras.
chau.hue@infomoney.com.br