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Esse conceito implicava que os países emergentes conseguiriam se manter crescendo a altas taxas, enquanto os EUA sucumbiriam devido a uma crise, que à época, se imaginava era financeira e norte-americana. Por trás dessa ideia estava a crença de que a China conseguiria manter um crescimento de dois dígitos, sustentando, assim, o crescimento dos outros emergentes.
Com o agravamento da crise a partir de agosto de 2008, houve a acertada percepção de que a crise possuía desmembramentos comerciais e, portanto, era global. Nesse momento, a China começava a apresentar os primeiros sinais de cansaço, e o mercado passou a projetar uma desaceleração do emergente gigante asiático. Desde então, até meados de fevereiro, o mercado não mais agia como um pêndulo, mas de forma unidirecional, cortando as projeções mundiais e do crescimento chinês.
| “O mundo voltou a olhar para a China com outros olhos” |
Mas, no início do ano, o governo apresentou um plano de estímulo fiscal para uma economia que crescia 12% há muitos anos, mas estava, na margem, crescendo “apenas” 7%. Do total, 60% será aumento de investimento do governo, o que significa um aumento substancial em obras de estradas, portos, infraestrutura.
Após a divulgação desse extraordinário plano fiscal, o mundo voltou a olhar para a China com outros olhos. Com a divulgação de alguns números macroeconômicos mais positivos, o otimismo voltou à tona. E o mercado de commodities reagiu prontamente. Os preços dos metais rebotaram as quedas derivadas da recessão global. Há grande expectativa de um recrudescimento da demanda por alumínio, minério de ferro e aço.
Os preços de aço parecem ter atingido o piso, mas o enorme estoque existente (principalmente no Oriente Médio) e a fraca demanda global (a grande demanda vem dos setores automotivos e imobiliários, que estão no centro da crise) sugerem que a recuperação será gradual. O quão gradual dependerá do sucesso dos mais de US$ 2 trilhões de estímulos fiscais ao redor do globo, e principalmente do plano de US$ 580 bilhões da China.
As expectativas para o minério de ferro também sugerem um aumento de demanda em 2009, após uma forte desaceleração na produção do ferro, devido a Olimpíada. Os preços podem, inclusive, começar a subir nos próximos meses, com a entrada da China no mercado, no período de boom imobiliário, que ocorre durante a primavera. Um dos focos do segmento será na negociação do reajuste dos preços da Vale com o governo chinês.
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Por fim, o alumínio, que é o metal mais fraco dos três. A principal preocupação é o grande nível de estoques. Esse processo indica claramente os desequilíbrios do mercado. Com os fundamentos da demanda muito fracos, o comportamento da oferta será fundamental para a dinâmica dos preços. Mas, o fato dos valores terem permanecido firmes nessas últimas semanas pode significar que o pior já está no preço. De qualquer maneira, há poucas razões, mesmo com a recuperação chinesa, para esperarmos uma recuperação sustentável dos preços dessa commodities.
Ou seja, o mercado de commodities está mudando muito nessas últimas semanas. E, por trás dessas alterações, está o cenário de mercado para o crescimento chinês. Com o rebote desse, os mercados reagiram na expectativa de que a controlada economia chinesa, com seu pragmático governo, consiga recuperar uma economia que estava caminhando para a mediocridade. E não há remédio melhor para as commodities do que uma recuperação baseada no que o chinês sabe fazer melhor: investir, investir e investir.
Ivo Chermont é economista da Modal Asset Management e escreve mensalmente na InfoMoney, às terças-feiras.
ivo.chermont@infomoney.com.br