Colunista InfoMoney: O círculo virtuoso da comunicação com o mercado

Levantamentos recentes sugerem que um número relativamente pequeno de companhias medem a eficácia da área de RI
A relevância crescente da qualidade do fluxo de informações com a comunidade financeira na valorização das ações no mercado de capitais tem levado companhias a medir o impacto da atuação das áreas de relações com investidores. Isso atende a um conjunto de objetivos, como alcançar o preço justo das ações, aprimorar a qualidade do trabalho, calibrar a sua importância relativa na estrutura da companhia, definir a remuneração da equipe.

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Trata-se de uma tendência que por enquanto apenas se esboça mesmo nos Estados Unidos, onde o mercado de capitais já atingiu um estágio bem mais avançado.

Levantamentos recentes realizados pela empresa de consultoria norte-americana Rivel Research, especializada em estudos de percepção, mostram que um número relativamente pequeno de companhias tem abordagem formal e sistemática para medir a eficácia da área de relações com investidores.

“Há ainda muita informalidade dos procedimentos adotados pelas companhias”

No Brasil, as informações disponíveis sobre métodos e critérios mais utilizados pelas companhias são esporádicas. A FIRB Investor Relations Brasil realizou ao longo do mês de maio a primeira pesquisa sobre o assunto no País. Baseado em entrevistas com os responsáveis pela área de relações com investidores de 17 companhias abertas que representam 34% do índice Bovespa (Ibovespa), o estudo revelou o primeiro mapa das práticas adotadas pelas companhias abertas quanto à avaliação de desempenho da área de relações com investidores. Também mostrou um painel expressivo da visão dos responsáveis pela área de RI sobre o seu papel.

A análise das respostas indica que, na prática, há ainda muita informalidade dos procedimentos adotados pelas companhias. O quadro é consistente com o diagnóstico das companhias norte-americanas revelado por dois estudos mais recentes da Rivel – Perspectives from the CEO – CEOs and the investment community: a view from the top, concluído em junho de 2006, e Perspectives on Investor Communications, concluído em 2005.

A comparação entre os dois estudos revela uma enorme diferença de visão entre CEOs e diretores de RI sobre o papel da atividade. Enquanto CEOs tipicamente medem o desempenho das áreas de RI por critérios qualitativos, sobretudo pelo feedback da comunidade financeira, os diretores de RI acreditam que a efetividade deve ser julgada por parâmetros quantitativos, como a freqüência de contatos ou o número de reuniões que agendam com profissionais do mercado financeiro.

Tais diferenças sinalizam o rumo a ser seguido pelos profissionais de RI empenhados em assumir papéis mais decisivos para o destino de suas empresas. Quanto mais capazes de municiar o comando de suas companhias de informações, maiores as possibilidades de influírem no processo de decisão e mais próximos estarão de alcançar esse propósito.

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Há indicações claras de que a as áreas de RI precisam entender a base acionária, exercer influência sobre a sua formação, ouvir investidores e analistas, mostrar para o mercado o valor real da empresa e informar os dirigentes da empresa sobre as avaliações, opiniões e expectativas da comunidade financeira. Esse fluxo é essencial para garantir o sucesso do trabalho de RI.

Arleu Anhalt é presidente da FIRB, ex-presidente executivo e atual membro do conselho de administração do IBRI e escreve bimestralmente na InfoMoney, às quintas-feiras.
arleu.anhalt@infomoney.com.br