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Esses três fatores, ocorrendo simultaneamente logo na primeira semana operacional do novo ano, evidenciam em que velocidade e amplitude a crise internacional se instala e quão urgente ela requer soluções práticas e de rápida execução. Antecipar em uma semana a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), à primeira vista parece ser uma sugestão exagerada. Mas, como uma reunião extraordinária, seria prova de que os agentes econômicos estão com a mão no pulso de suas indústrias.
O fato de extraordinariamente se ter uma reunião do Copom para baixar os juros sinalizaria ao mercado que a conjuntura brasileira é sim preocupação tanto do governo quanto do empresariado. Sem dúvida, deveria ser adicionada a questão dos spreads bancários cobrados atualmente, que estão fora do padrão de aceitabilidade. Ao sinalizar sua preocupação nessa área, certamente o governo poderá induzir a competição dos spreads através de seu maior banco, o Banco do Brasil.
| “Crise requer soluções práticas e de rápida execução” |
Cada setor tem uma posição diferente quanto aos estímulos para suas vendas. Assim é o setor automotivo na dinamização das vendas de carros usados, o setor da construção civil no financiamento dos projetos, na infra-estrutura, na repactuação de financiamento em curso, nos bens de capital da desoneração de investimentos e assim por diante. Porém, cada um deles abdicou por um momento de suas particularidades para solicitar uma só medida, a de redução de juros.
Observando o cenário internacional, outras economias já avançaram decididamente nessa direção, por temerem a deflação; pois seria como perder a sustentação em pleno vôo só retornando ao ponto ideal depois de mais forte queda, para que os mecanismos voltem a ser efetivos.
A pergunta que se faz é se o Brasil poderia ter um risco de deflação. À primeira vista não, porque saímos de um patamar razoável de crescimento. Mas, observando a queda dos índices de inflação pela queda dos preços e acompanhados pela queda de volume, a característica do movimento sinaliza esse perigo. Portanto, é melhor não se arriscar com o manche muito puxado, porque a velocidade da economia está em queda livre.
Reduzir o juro e o spread ao mesmo tempo daria ao mercado o sinal adequado de que a reação de governo e do setor financeiro está se adequando à velocidade dos acontecimentos.
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Sabemos bem que a velocidade de reação dos governos é sempre muito mais lenta do que os acontecimentos, tanto nos bons momentos quanto nos ruins. Neste nosso caso, a velocidade desta crise e a dimensão são muito grandes e particularmente atinge todas as economias simultaneamente. Portanto, adequar a velocidade de reação às necessidades, mesmo chegando um pouco tarde, é melhor do que sinalizar que estamos administrando a situação dentro de um cronograma pré-estabelecido.
O mercado faz as leituras desses movimentos de maneira a notar como são as percepções. Imagem é percepção e percepção se transforma em ação na realidade dos fatos.
Ingo Plöger é empresário, coordenador do 1º Fórum de Líderes em Sustentabilidade e presidente da IP Desenvolvimento Empresarial Institucional. Escreve mensalmente na InfoMoney, às sextas-feiras.
ingo.ploger@infomoney.com.br