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Os ativos financeiros selecionados para a análise foram os mercados de moedas e commodities. A principal moeda tomada como referência foi o Dólar devido à convenção internacional que o determinou como sendo o principal ativo de transação. Em relação às commodities não foi especificada nenhuma classe, porém, aceitou-se a hipótese comparativa das mais negociadas no mercado internacional.
O objetivo da análise será buscar a tendência e identificar quais serão os possíveis movimentos dos ativos destacados. Face ao objetivo, considera-se que os efeitos da crise financeira internacional decaia à medida que aproxima-se do biênio de 2010/11 e infere-se uma probabilidade de sucesso dos planos econômicos para a volta da liquidez nas principais economias.
| “Ficar comprado em moeda e vendido em commodities” |
Para analisar a tendência das moedas foi utilizado o modelo geral de J. M. Keynes de alocação de portifólio, pois nele está implícito a incerteza como parte da formação das expectativas dos agentes em relação ao futuro. Para Keynes a demanda especulativa por moeda vai influenciar significativamente nos retornos esperados e, por conseguinte, nos preços de mercados dos ativos financeiros de curto prazo.
Analisando “Q” uma das componentes principais da equação do retorno elaborada por Keynes [R = Pf – Ps + (Q – C) + l]1a moeda tende a se tornar uma quasi-renda esperada igual a zero, isso significa afirmar que a moeda possui um retorno equivalente ao seu prêmio de liquidez. Desconsiderando as demais componentes da equação, uma vez que a intenção é determinar a tendência da moeda, Keynes insere no segundo momento a questão da instabilidade potencial das expectativas dos agentes que, resumidamente, siginifica afirmar que a compra de um ativo representa a compra do seu fluxo de rendimentos futuro, e que intrinsicamente esses fluxos estarão condicionados ao cenário da macro e microeconomia no futuro.
Como nenhum agente tem certeza desse cenário no futuro, a incerteza (ou risco) começa a ditar as regras para a demanda e oferta dos ativos. Este cenário da teoria da alocação de portifólio de Keynes se aproxima da atual realidade mundial, e foi justamente por ter sido desenvolvida em meio a crise de 1930 que a sua lógica se aproxima da realidade enfrentada pelos agentes.
Por outro lado, temos as commodities que são negociadas de acordo com a demanda e a oferta, porém por trás desta relação existe o princípio da renda mundial. Ou seja, de acordo com a renda disponível do mundo alocada para o consumo são formadas as posições de compra ou venda das commodities. Caso a renda do mundo apresente expansão, isto é, que o PIB mundial esteja crescendo, a tendência é de valorização das commodities. Entretanto, se o mundo apresenta um cenário de arrefecimento da renda mundial, ou seja, um cenário de queda do PIB mundial, as commodities tendem à apresentar desvalorizações em suas cotações.
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Isso sugere a afirmação de que dada a renda mundial atual ficar posicionado em commodities apresenta maior incerteza em relação ao retorno do que ficar posicionado em moedas. O prêmio da liquidez tende a oferecer maiores garantias de retorno das moedas do que das commodities.
Porém, como destacado no início, a medida que caminhamos para 2010/11 e as ações das principais economias contra a crise apresentam resultados positivos no campo da liquidez, a moeda tende a perde espaço e as commodities tendem a preencher este vazio e a oferecer melhores taxas de retornos.
Os fatores determinantes para compor as posições das carteiras de investimentos são a incerteza em relação ao cenário futuro do campo macro/microeconômico e o nivel da renda mundial. Com isso, vale a posição no curto prazo de ficar comprado em moeda e vendido em commodities.
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1 Keynes, John Maynard (1936). The General Theory of Employment, Interest and Money. London: MacMillan. Capítulo 17.
* Q = quasi-renda; C = custo de carregamento; l = prêmio pela liquidez; A = expectativa de valorização do ativo; Pf = preço futuro e Ps = preço spot.
Ricardo André Jacomassi é responsável por análises setoriais das commodities agrícolas na LAFIS Consultoria Econômica e escreve mensalmente na InfoMoney, às quintas-feiras.
ricardo.jacomassi@infomoney.com.br