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Visando popularizar os mercados futuros, a BM&F disponibilizou também mini-contratos de alguns desses ativos, como, por exemplo, o boi gordo, o Ibovespa e o dólar, que diferem dos contratos usuais pelo tamanho dos contratos, correspondendo a um percentual dos respectivos contratos padrões.
A utilização de mercados futuros como proteção, ou hedge, tem papel de destaque no tocante às modalidades de futuros de mercadorias. Vamos considerar, por exemplo, o mercado de boi gordo. Digamos que um pecuarista esteja preocupado com os fatores que podem levar a uma queda no preço futuro do gado no momento em que se pretende comercializá-lo, o que poderá reduzir os ganhos considerando-se todos os custos e riscos envolvidos. Por simplicidade, suponhamos que o pecuarista pretende comercializar o gado no final de novembro. Assim, ele poderia vender contratos futuros de boi gordo visando se proteger ante a uma eventual perda decorrente da queda na cotação futura R$/@ (uma arroba corresponde a 30 kgs). Os contratos futuros de boi gordo são negociados mensalmente, sendo que a data de vencimento corresponde ao último dia útil do mês de vencimento. O tamanho do contrato é de 330 @. Desse modo, o volume de cada contrato é dado por R$/@ x 330 @. Ou seja, cada variação de R$1,00 na cotação do contrato futuro de boi gordo corresponde a R$ 330,00 por contrato.
| “A utilização de mercados futuros como proteção é destaque dentre as modalidades” |
A operacionalização nos mercados futuros se dá através da utilização de margens, que essencialmente são um percentual do valor da operação e que são utilizadas como um mecanismo que oferece garantias de que os compromissos serão honrados. As margens definem o grau de alavancagem em um determinado mercado e variam de acordo com as mercadorias e ativos financeiros, de modo a refletirem os riscos associados.
Por exemplo, suponha que em 09/10/2009 um hedger tenha vendido um contrato futuro de boi gordo ao último preço cotado do contrato com vencimento em novembro (R$ 81,00/@). Assim o volume financeiro resultante da venda de um contrato teria sido de R$26.730,00. Por se tratar de um valor que virá a ser recebido no futuro, i.e., a cotação poderá estar abaixo (o que daria lucro para o vendedor) ou acima (acarretando em prejuízo para o vendedor), uma margem inicial é então requerida, que no caso seria de R$ 1.800,00 por contrato, o que significa uma alavancagem de 1 para 14,85. Ao final de cada pregão, a BM&F determina o preço de ajuste para cada contrato em aberto, sobre o qual será feito o ajuste diário de todas as posições. O valor do ajuste diário (ADt), se positivo, é creditado ao titular da posição compradora e debitado ao titular da posição vendedora. Caso o valor seja negativo, será debitado ao comprador e creditado ao vendedor.
O ajuste diário das posições no mercado de boi gordo no dia em que é fechado o negócio se dá de acordo com a fórmula abaixo:
ADt = (PAt – PO) × 330 × n
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onde: ADt = valor do ajuste diário;
PAt = preço de ajuste do dia;
PO = preço da operação;
n = número de contratos;
No exemplo, o preço de ajuste em 09/10/2009 foi de R$ 80,96/@, logo: ADt = (80,96-81,00) × 330 × 1= -13,20. Portanto, haveria um crédito na conta margem (pois a posição é vendida), que passaria a ser no final do dia R$ 1.813,20, após o ajustamento.
Já as posições em aberto se ajustam de acordo com a fórmula:
ADt = (PAt – PAt-1) × 330 × n
onde: PAt-1 = preço de ajuste do dia anterior.
Continuando o exemplo, ao final do dia 13/10/09 a cotação de ajustamento foi de R$ 79,73. Neste caso, o ajuste será de: ADt = (79,73-80,96) × 330 × 1= -405,90. Portanto, haveria um crédito na conta margem (pois a posição é vendida), que passaria a ser (no final do dia 13/10/2009) de R$ 2.219,10.
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Sempre que o saldo da conta margem no mercado futuro de boi gordo for inferior a R$ 1.500,00 (que no caso é a margem de manutenção), o hedger deverá repor recursos de tal modo que a conta margem volte a ser de R$ 1.800,00.
Vale notar que o mesmo se aplica aos contratos financeiros. Por exemplo, um exportador pode vender contratos futuros de dólar com o intuito se proteger ante a uma determinada valorização do real em relação ao dólar.
Sugiro que os iniciantes participem do simulador da BM&F, onde após o cadastro receberão R$ 150.000,00 fictícios que poderão ser utilizados em diferentes mercados futuros. É uma maneira divertida e prudente de ir se familiarizando com o funcionamento dos mercados futuros.
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Paulo C. Coimbra é doutorando em Economia na EPGE/FGV, professor da FUCAPE e FGV e escreve mensalmente na InfoMoney, às terças-feiras.
paulo.coimbra@infomoney.com.br