Colunista InfoMoney: Mercado totalmente cauteloso

Teremos que ficar atentos para os movimentos. Apesar da calmaria aparente, ainda teremos solavancos no mercado
Agora estamos em compasso de espera. Os índices referentes ao quarto trimestre de 2008 em que o mercado já esperava péssima performance foram divulgados.
Agora resta aguardar o desempenho do primeiro trimestre de 2009. A retomada será lenta, mas aguardamos a estabilização das más notícias e a atuação dos órgãos governamentais internacionais, que estão fazendo de tudo para combater a recessão e o desemprego, de olho na estabilidade dos sistemas financeiro e produtivo.

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Aqui no Brasil não está diferente. Os nossos governantes estão preocupados com as taxas de desemprego entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009. Anunciaram no mês passado diversos pacotes com o intuito de reanimar a economia. Apesar do nosso ministro acreditar que poderemos crescer até 4% em 2009. Isso é uma incógnita. E nosso presidente chegou a 84% de popularidade, um índice fora de série. Pelos menos eu não fui entrevistado.

A bolsa, que bateu 29.500 pontos no mês de outubro do ano passado – um dos piores momentos da crise -, continua consistente, apesar de todas as más notícias. O mercado está mais calmo, porém cauteloso, pois o trauma ainda é grande. E tem que subir muito para se recuperar.

“Aguardamos a estabilização das más notícias”

Contudo, o mercado já está recebendo novamente o capital estrangeiro tanto para bolsa como para renda fixa. Apesar da nossa taxa básica de juro ter caído 1 ponto percentual, ainda é bastante atrativa, pois continuamos sendo a maior taxa de juros do mundo, a 12,75% ao ano. Mas a curva da grana para 360 dias já está recuando e o mercado espera para o final do ano 10% para baixo.

No câmbio, depois de muitas tormentas, o mercado está reagindo bem. O Banco Central fez inúmeros leilões de linha e no mercado à vista. E, apesar da performance da balança comercial de janeiro ter sido negativa, os bancos já reduziram as suas posições compradas no mercado à vista para a metade. E os estrangeiros em posições no mercado futuro já reduziram em quase US$ 2 bilhões. Segundo estimativas, os comprados no futuro representam quase US$ 10,3 bilhões.

O efeito desmanche de posição derreteria este dólar. O mercado terá que se ajustar para os bancos desfazerem suas posiçoes sem perder muito, ou melhor deixar de ganhar. Quem especulou bastante poderá amargar com algum prejuízo.

Teremos que ficar atentos para os movimentos. Apesar da calmaria aparente, ainda teremos solavancos no mercado. Esta semana teremos alguns indicativos interessantes, mas a situação nos EUA é muito complicada. Todo o empenho de Barack Obama ainda não vai surtir efeito a curto prazo.

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Reginaldo Siaca é gerente de Câmbio da corretora TOV e escreve mensalmente na InfoMoney, às terças-feiras.
reginaldo.siaca@infomoney.com.br