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Sempre que estamos às vésperas de definição dos juros primários aparecem na grande mídia lobistas pinçando argumentos que justifiquem uma taxa de juros desnecessariamente alta.
Inflação em alta, demanda muito aquecida, capacidade da indústria em atender um aumento maior do consumo, inadimplência, suposta dificuldade de rolagem da dívida pública e etc.
| “Para quem investe na segurança da renda fixa não existe cenário melhor” |
Outro dia uma matéria encomendada citava “fonte” de um membro da área econômica do Governo preocupado com um possível cenário de redução exagerada de juros neste momento, com a necessidade de subida em 2010, proveniente de uma recuperação forte da economia, isso tudo em meio à crise.
Vou colocar então, argumentos que justificam uma redução maior na taxa real de juros para um patamar mais próximo do padrão internacional:
– expectativas de inflação convergindo para a meta
– forte queda na atividade industrial
– aumento da taxa de desemprego
– taxa de câmbio acomodada em nível abaixo que o das previsões mais pessimistas e com tendência de queda
– permanência de alto spread bancário
– forte ingresso de capital externo mesmo em meio à crise
– necessidade de retomada rápida da liquidez bancária
– mudança positiva na avaliação do risco Brasil por parte da comunidade financeira internacional
É preciso levar em conta que o patamar atual da taxa de juros atual foi carregado de expectativas sombrias de pressupostos que acabaram não se confirmando.
O reconhecimento internacional da importância do Brasil na superação da crise financeira global mostra que a visão de risco país externa está dissociada da avaliação da maioria nos analistas locais que procuram influenciar a decisão do Copom.
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Como já comentei aqui no passado, sairemos muito mais fortalecidos desta crise do que se poderia imaginar. A queda da taxa de juros pode não vir neste momento com a velocidade desejada, no entanto, é líquido e certo que ela irá acontecer.
Para quem investe na segurança da renda fixa não existe cenário melhor.
Na renda variável, bolsa de valores deverá ter gratas surpresas também, com o Ibovespa podendo alcançar patamares acima daqueles que foram considerados os máximos.
Ciente das dificuldades de se conduzir a política monetária durante os últimos anos de um novo governo, gostaria de parabenizar o Sr. Henrique Meirelles e sua equipe até este momento e manifestar a confiança de que as condições criadas permitem que as decisões econômicas sejam tomadas de forma mais republicana.
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O Banco Central fez o que deveria até o momento a esperança agora é que FAÇA O QUE SE DEVE.
Há 35 anos no mercado financeiro, Waldir Kiel Junior é economista e escreve mensalmente na InfoMoney, às quartas-feiras.
waldir.kiel@infomoney.com.br