Colunista InfoMoney: Escalada difícil para 2009

No começo do ano, o dólar chegou a atingir R$ 2,16; a rotina voltou à sua realidade crua e nua; o mercado apenas alterou o último dígito do calendário
A primeira quinzena de janeiro de 2009 começou de forma até surpreendente, pois, nos primeiros três dias úteis, a bolsa no Brasil subiu quase 13%. O dólar caiu na mínima de R$ 2,16 – quase 10% em relação ao fechamento de 2008 -, e o petróleo chegou a quase US$ 50,00 o barril. O mercado estava todo satisfeito com o novo pacote sendo anunciado por Obama antes mesmo de assumir a presidência. Um megapacote superior ao primeiro para socorrer o mercado financeiro.

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Pois bem, passaram mais alguns dias e a rotina voltou à sua realidade crua e nua. O mercado apenas alterou o último dígito do calendário de 2008 para 2009. Por mais magia que temos no universo, seria impossível reverter este quadro da crise internacional em apenas uma semana.

A instabilidade no mercado financeiro global trouxe de volta as oscilações bruscas. O único ativo em tendência de queda seria o juro a 13,75%, pois o mercado inteiro espera uma redução mínima de 0,50 ponto percentual; mesmo assim o Brasil é o topo da taxa mais alta do mundo.

“Os governos estão administrando o mercado falido”

A bolsa retornou para os 38 mil pontos, no dia 15 de janeiro o dólar bateu em R$ 2,3880 e o preço do petróleo foi abaixo dos US$ 38,00 o barril. No Brasil, na primeira quinzena de janeiro, já estamos com déficit de US$ 500 milhões. O BC brasileiro tem atuado todos os dias, porém a volatilidade do dólar em relação ao real continua forte.

O mercado global já estava aguardando que a temporada de resultados do quarto trimestre estaria comprometida. Pois bem, os números estão começando aparecer de forma pior do que o esperado.

Então voltamos à rotina. A crise chegou ao ponto de que os nossos governantes estão preocupados em saber de que forma iremos atacar este problema. A realidade chegou no Brasil com o sumiço de 600 mil postos de trabalho em dezembro, 100% acima da média de dezembro de 2007. As empresas começaram a dispensar funcionários independente de saber o tamanho do buraco.

O empresário não quer saber de diminuir os preços e aumentar a produção e sim dispensar funcionários. Porém este aspecto não foi apenas no Brasil: as demissões estão ocorrendo em massa a nível global.

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Esta semana teremos os balanços de bancos e multinacionais e a expectativa não é das melhores. O preço das commodities caiu quase 60%, o consumo diminui e a produção também. O fator preponderante será a performance do mercado no primeiro trimestre de 2009. Aí sim saberemos como está a saúde do mercado globalizado, pois, no momento, os governos estão administrando o mercado falido.

Reginaldo Siaca é gerente de Câmbio da corretora TOV e escreve mensalmente na InfoMoney, às terças-feiras.
reginaldo.siaca@infomoney.com.br