Colunista InfoMoney: É preciso acordar mais cedo!

Nos últimos anos a nossa infraestrutura estava em operação com produtividade regular para baixa, embora apresentasse volumes muito bons
Uma risada geral interrompera aquela palestra centrada em dados e fatos, quando Julian Thomas, Presidente da Aliança Hamburg Süd, apresentou os grandes saltos de produtividade do Porto de Santos no primeiro semestre deste ano em relação aos anos anteriores, comparado com vários portos internacionais.

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O momento era de seriedade, mas não houve como não se tornar hilário…! A produtividade apontada ocorrera no momento em que tivemos uma queda de volume de 25% no Porto de Santos, ocorrera porque estávamos operando com ociosidade em função da crise; e, é lógico, não devemos torcer por uma crise para termos ótima produtividade.

Este fenômeno evidencia que nos últimos anos a nossa infraestrutura e, quem sabe uma boa parcela de nossas empresas que estavam operando no limite de suas capacidades, estava em operação com produtividade regular para baixa, embora apresentasse volumes de crescimento muito bons.

“Fôlego para corrigir, adequar as nossas empresas, instituições e investimentos”

Quem opera fábricas sabe que bons níveis de produtividade se conquistam quando a capacidade está sendo plenamente utilizada, e, portanto, se aprimoram os gargalos continuamente. Tais gargalos mudam de configuração com o aumento da produtividade.

Qual não foi nossa surpresa, descobrimos que não estávamos otimizando nossos processos, e de repente, com uma enorme queda de volume, surgem indicadores surpreendentes. Algumas razões nos levaram a isto: Primeiro, crescemos mais do que esperávamos, tanto no nível de infraestrutura de país como nas empresas, ou seja, não acreditamos suficientemente que o crescimento iria ser tal como foi e deixamos de investir no tempo certo. Segundo, perdemos a capacidade de fazer projeções em longo prazo, tanto em termos de país como nas empresas. E, por último, não desenvolvemos pessoas na mesma razão de nosso desenvolvimento.

Infelizmente a crise está aparentemente dando razão aos céticos do crescimento. Afinal, do ponto de vista dos céticos, foi bom não ter investido o necessário e, além do mais, os níveis de produtividade atuais demonstram que estávamos certos em estressar os processos produtivos; nada se come tão quente, como quando está no forno.

Aniquilamos nossa capacidade de planejar em nosso Brasil, sucessivamente, nos anos 80 e nos inícios da década de 90. A gestão das crises era mais importante e ademais, com altas taxas inflacionárias, nada se pôde financiar em longo prazo. Logo depois, veio a temporada dos juros altos, e, portanto, continuava a desestimular o investimento produtivo de longo curso.

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Mas o tempo passou e graças a Deus a inflação pertence a um longínquo passado e os juros de investimentos TJLP e do mercado de capitais têm demonstrado que somos, sim, capazes de realizar projetos de longo prazo a juros mais razoáveis.

Naquele mesmo evento da Associação Brasileira do Agribusiness, em que ríamos dos motivos dos altos índices de produtividade do Porto de Santos no primeiro semestre, tivemos demonstrações que realmente nos levam ao otimismo ponderado e sustentado para um Brasil em crescimento.

O agricultor é um destes personagens que, ao plantar, não tem como pensar somente em curto prazo, ainda mais em se tratando de cultivo de madeira para a celulose e papel, cana, laranja, seringueiras, enfim produções que levam anos para serem colhidas. Mas o que vale produzir bem dentro das fronteiras da fazenda se os custos fora da porteira aniquilam uma parte desta produtividade conquistada?

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Os organizadores daquele evento tiveram a grande ideia de convidar o secretário de Política de Transportes, que fez uma explanação sobre o Programa Nacional de Logística e Transportes do Brasil para um horizonte até 2022. A impressionante matriz apresentada evidenciava que teremos fluxos de transportes completamente novos e os investimentos estavam invertendo uma direção tradicional da movimentação de cargas. Estas, que fluem da região Centro Oeste para o Sul, deverão fluir para o Norte do País.

O auditório fora surpreendido por uma grande novidade, estávamos redescobrindo que planejávamos um país de dimensões continentais, não para quatro anos de governo, mas para o nosso futuro como Nação inserida no continente sul-americano.

Em dado momento, ao falarmos novamente dos portos e sua ineficácia, o secretario sugeriu à plateia que deveríamos aproveitar o que a crise de melhor nos deu, que é o tempo para tomarmos fôlego. Fôlego para corrigir, adequar as nossas empresas, instituições e investimentos. E resumiu com uma provocação: “não é hora de dormir mais porque temos mais tempo para atender o escasso números de pedidos que temos. É hora de acordar mais cedo a fim de consertar o que for preciso, para que quando o crescimento vier, estejamos mais bem preparados do que antes.

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Ingo Plöger é empresário, engenheiro economista, conselheiro de empresas nacionais e internacionais e presidente da IP Desenvolvimento Empresarial Institucional. Escreve mensalmente na InfoMoney, às sextas-feiras.
ingo.ploger@infomoney.com.br