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Como resposta, a amplitude da liquidez nos mercados financeiros na tentativa de restabelecer o volume de crédito vem contribuindo para a valorização dos ativos de renda variável e fixa. Enfraquecidos, alguns importantes países com problemas fiscais tornaram os novos epicentros de riscos e incertezas.
Diante do desdobramento destes fatores lancei-me a difícil e instigante arte de prever os próximos eventos no ambiente econômico. Como a normalização do crédito internacional, fundamental para manter o fluxo de investimentos e a corrente de comércio, está apoiada no consenso da recuperação da economia mundial e lastreada na monumental liquidez internacional, está atingindo os níveis anteriores à crise, observa-se que as flutuações originadas pelo ajuste da economia internacional se refletirão logo mais nas contas externas dos países.
Os sinais frágeis emitidos pelas economias da União Européia tornaram a recuperação econômica menos implícita do que a esperada por muitos analistas em 2010. Sem crescimento econômico e com gastos correntes mantidos a níveis pré-crise, os descasamentos entre a receita e a despesa fiscal dessas economias levaram a tona riscos consistentes para a manutenção do Tratado de Maastricht, acordo que deu origem a União Européia.
Além dos gastos correntes, o nível de endividamento tornou preocupante a situação de alguns países como Irlanda, Espanha, Grécia e Portugal e levou o bloco a um dilema: as economias responsáveis com a sua situação fiscal devem financiar as economias menos responsáveis fiscalmente? Para a solidez da UE, espera-se que sim.
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“Espera-se um ajuste |
Entretanto, observando os próximos movimentos da economia mundial residem fatores consideráveis no que diz respeito aos balanços de pagamentos das principais economias. E os primeiros resultados já começaram a surgir no início de 2010. A segunda maior economia mundial não é mais a do Japão e a maior exportadora não é mais a da Alemanha.
Ambas foram ocupadas pela China. Maior consumidora de commodities agrícolas e minerais e, logo, energética, a nova maior economia asiática será a mais beneficiada pela crise econômica mundial. Portanto, existe a probabilidade de ocorrer algum choque via balanço de pagamentos.
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O balanço de pagamento, simplificadamente, é formado por duas grandes contas, 1 – Transações Correntes, composta pelas subcontas: balança comercial, balança de serviços e transferências unilaterais; e 2 – Conta Capital e Financeira, estruturada pelas subcontas: conta capital e conta financeira. O computo dessas grandes contas é responsável pelo déficit ou superávit do balanço de pagamentos.
O realinhamento entre as economias deverá influenciar nos balanços de pagamentos impondo uma nova dinâmica para as suas subcontas. Do ponto de vista da balança comercial, as economias emergentes, como a brasileira, apresentarão redução no seu superávit comercial, salvo a China. A Rússia e a Índia deverão apresentar algum arrefecimento.
Em relação às economias centrais o déficit comercial norte-americano será um problema a parte, pois a sua recuperação econômica demandará mais importações de petróleo e produtos semiduráveis. A situação torna-se mais complicada para as economias da União Européia, pois com a concorrência chinesa fica inviável produzir para exportar, mesmo com alta produtividade advinda da tecnologia, como a alemã, o preço estritamente baixo do fator mão-de-obra acaba favorecendo os produtos de origem chinesa.
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A balança de serviços não sofrerá oscilações discrepantes e será favorável para os países desenvolvidos mais a Índia, e desfavorável para os demais. Não obstante, deverá seguir influenciada pela recuperação da economia internacional.
No caso do Brasil, as estimativas do boletim Focus do Banco Central apontam que em 2010 deverá ocorrer um déficit nas transações correntes em torno de US$ 50 bilhões e de US$ 56 bilhões em 2011, dados totalmente contrários dos apresentados nos anos anteriores. Contudo, o déficit deverá ser equilibrado pela entrada de capital via conta de capital e financeira, através da forma de investimentos estrangeiros diretos e aplicações em renda fixa e variável. A deterioração das transações correntes é reflexo do aumento das importações.
No contexto internacional a Conta Capital e Financeira será marcada pela alta mobilidade de capital entre os mercados financeiros, provocando desajustes nos fluxos correntes das economias. Como o aumento da liquidez gerou oferta abundante de capital, os agentes direcionaram parte desses recursos para mercados com maiores retornos, como o Brasil e a China. O que se observa é que no primeiro momento a liquidez promoveu uma acomodação nos mercados, equilibrando as contas do balanço de pagamentos. O receio é quando estes capitais fizerem o caminho oposto quais as conseqüências para as contas externas das economias.
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Como o processo de deterioração das contas leva um período de transmissão e contágio, espera ao longo de 2010 e 2011 um ciclo de ajustamento dos balanços de pagamentos das economias mundiais. Não se sabe com certa precisão quais as conseqüências desse ajuste, mas uma coisa é certa quando se observa o passado da história econômica: em todo período de ajuste nos balanços de pagamentos países saíram fragilizados e outros fortalecidos. Brasil e China serão mais fortes após este ciclo.
Ricardo André Jacomassi é responsável por análises setoriais das commodities agrícolas na LAFIS Consultoria Econômica e escreve mensalmente na InfoMoney.
ricardo.jacomassi@infomoney.com.br