Colunista InfoMoney: Análise de preços do mercado de commodities

Pensar que o preço interno segue rigidamente a cotação internacional não deve ser utilizado estritamente como regra
No último artigo, comentei que o preço do milho pago ao produtor no mercado interno poderia cair, apesar de haver fatores que apontavam direção contrária. E as variáveis que indicariam alta do valor do grão não eram poucas… Tampouco irrelevantes.

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A produção brasileira de milho será menor em relação a 2008, o preço médio do milho cotado em CBOT (Chicago Board of Trade) registrou alta entre janeiro de março, com notícias de que a safra na Argentina havia sido afetada por choque climático e a desvalorização do Real ante o dólar (pois torna mais atrativo para o produtor exportar ao invés de ofertar para a indústria doméstica). Entretanto, o preço aqui no Brasil resistiu à pressão altista vinda de fora e apresentou queda em fevereiro.

Nesse texto, gostaria de dizer que a análise de preços do mercado de commodities deve ser feita caso a caso, isto é, ao olhar a atividade de milho, entender bem a estrutura de oferta e demanda dela, assim como para soja, trigo, algodão, etc. Pensar que o preço interno segue rigidamente a cotação internacional não deve ser utilizado estritamente como regra de bolso.

“A análise é menos nebulosa se comparada ao mercado cambial”

No caso do milho, além dos estoques elevados existentes no Brasil, o que também me chamou a atenção foi o fato de que a demanda doméstica está começando a se enfraquecer. A indústria de frango, cujo insumo importante é justamente o milho, possui estoques de frango oriundos de uma forte contração das exportações.

Ademais, o setor está se ajustando para enfrentar a desaceleração da demanda mundial, através da eliminação de matrizes, como tem sido divulgado na mídia. Bom, se um dos maiores setores demandantes de milho está se reorganizando, então sua procura por milho também será menor. E o mesmo vale para suinocultura, que também é um grande demandante de milho como ração.

Ou seja, aqui dentro, o peso maior está sendo a demanda pelo grão, e não os fatores internacionais citados no primeiro parágrafo. Para o analista que possui tempo, disposição e acesso a dados, colocar na ponta do lápis a equação de oferta e demanda é muito útil, assim como ir ao detalhe de como é formado o preço do milho no Brasil, mais especificamente, na BM&F (Bolsa de Mercado e Futuros). O trabalho para coletar os dados estatísticos é desgastante, mas o resultado final compensa o esforço, já que permite fazer inferências com maior precisão, mas que, obviamente, não significa que será 100%.

Ao menos, suponho eu, que a análise do mercado de commodities é menos nebulosa se comparada ao mercado cambial, no qual a volatilidade também é alta, mas o nível de acerto dos analistas é muito menor. Estudos realizados na década de 1980 com o mercado a termo de câmbio mostram que, na média, os analistas subestimavam a direção do câmbio.

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Assim como em qualquer projeção, as alterações ocorrem, pois novas informações são colhidas a cada dia. Atualmente, a evolução da comunicação permite a todos o mesmo tipo de informação e número. Saber como incorporá-las no modelo e como irá afetar a tendência é o que diferencia cada analista.

Chau Kuo Hue é economista e escreve mensalmente na InfoMoney, às quartas-feiras.
chau.hue@infomoney.com.br