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Os governos têm selado acordos confidenciais bilaterais e de permuta com países exportadores para garantir os escassos suprimentos, num momento que as commodities agrícolas têm registrado historicamente elevados preços no mercado mundial, com um aumento dos preços em torno de 45% segundo previsão da FAO.
Estes acordos têm sido estabelecidos, por exemplo, entre Ucrânia e a Líbia, prevendo a dedicação do seu próprio território em até 100 mil hectares para cultivar trigo para o país norte-africano. Outro contrato assinado foi entre o Egito e a Síria, a qual Cairo acertou um contrato para fornecer arroz para Damasco em troca de trigo.
| “É necessário que haja uma maior informação aos consumidores de como são produzidos os alimentos” |
Essa é uma oportunidade ímpar para o Brasil adequar ainda mais, com a maior agilidade possível, suas normas conforme o estabelecido pelo Codex Alimentarius, tendo em vista ser considerado o “celeiro do mundo”, para que possa exportar alimentos mais seguros, para um número cada vez maior de países, sem que tenha problemas de barreiras não tarifárias, como está ocorrendo com a União Européia.
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No passado, os consumidores tinham em sua concepção a idéia “sadia” de como os alimentos eram produzidos, sobretudo aqueles que tenham tido algum contato com o meio rural; hoje, as novas gerações de consumidores, perdem qualquer referência de como é produzido os alimentos que ingerem, especialmente aqueles com alto grau de transformação, com a introdução de novas tecnologias no processo da industrialização.
Esta sensação de segurança, quando da ingestão de alimentos, fornecida no passado por uma imagem “bucólica” da produção rural de subsistência, não está mais presente no imaginário das novas gerações de consumidores essencialmente urbanos. Trata-se assim, de reconstruir o imaginário destas novas gerações no que toca a produção e a industrialização de produtos alimentares, através de uma linguagem moderna, baseada em elementos objetivos, críveis e verificáveis.
A segurança alimentar está relacionada com a presença de perigos associados aos gêneros alimentícios no momento do seu consumo (ingestão pelo consumidor). Como a introdução desses perigos pode ocorrer em qualquer etapa da cadeia alimentar, torna-se essencial à existência de um controle adequado ao longo da mesma. Conseqüentemente, a segurança alimentar é assegurada por meio dos esforços combinados de todas as partes que integram a cadeia alimentar. Ainda, é necessário que haja uma maior informação aos consumidores de como são produzidos os alimentos.
Diante desses fatos, segundo já exposto na coluna anterior, o Governo deve ainda mais priorizar suas ações para induzir os produtores brasileiros a se conscientizarem e aderirem a sistemas de produção que transformam a tradicional forma de produção convencional em produção de alimentos com qualidade, seguros, em bases sustentáveis e certificados, com rastreabilidade. Mas também, deve ter a consciência de que para tudo isso deve haver uma fiscalização séria por sua parte.
Adriana Vieira é mestre em Direito, doutoranda em economia pela Unicamp e escreve mensalmente na InfoMoney, às terças-feiras.
adriana.vieira@infomoney.com.br