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Mas a vitória não veio sem custos financeiros para nenhum dos candidatos à sede. Existiram gastos com equipes de filmagem, agências de propaganda e marketing, viagens, alimentação, hospedagem e, em até alguns casos, grande dispêndio em investimentos de instalações, como foi o caso de Madri. Para os países não escolhidos, resta uma nova tentativa para 2020. Para o Brasil, há ainda um longo caminho a percorrer, desde a alocação de recursos para segurança, assim como para a infraestrutura necessária para acomodar os jogos e jogadores.
Para quem se lembra, em 2008 houve uma forte valorização do preço internacional das commodities metálicas, em muitos casos atingido recordes históricos. Comparando o preço médio de 2003 com o preço médio em julho de 2008 do alumínio, cobre, níquel, chumbo e estanho, observa-se uma valorização de, respectivamente, 115%, 373%, 110%, 278% e 373%. Tal elevação se deve ao aquecimento econômico, que acabou pressionando a oferta e, conseqüentemente, os preços.
Até 2016 muito ainda há a ocorrer no mercado de commodities metálicas, mas, a princípio, eu diria que a tendência seria de alta, já que não se observou nos últimos anos descobertas de novas jazidas e há muito que ser feito ainda nos países emergentes no que se refere à infraestrutura e mercado imobiliário, o que significa mais demanda por aço e cobre nos próximos anos. O continente africano é uma das poucas regiões ainda onde pode haver fonte de oferta para o apetite mundial por commodities e que poderia conter a tendência de longo prazo de apreciação dos metais.
| “Olimpíadas e Copa do Mundo possuem impacto sobre commodities metálicas?” |
Agora, uma questão que se levanta é: eventos como Olimpíadas e Copa do Mundo possuem algum impacto sobre o preço de commodities metálicas nos meses subsequentes à realização do evento? Estimar o impacto real é uma árdua tarefa, talvez digna de um artigo acadêmico, o que consumiria meses de estudo. Aqui, realiza-se um exercício bastante simplista. Observou-se o preço médio mensal do alumínio e cobre em anos de Olimpíadas, Copa do Mundo e em que nenhum dos dois eventos ocorre, e então se verificou o comportamento padrão da série histórica.
Deve-se ressaltar que não se está expurgando efeitos de apreciação/depreciação do dólar (moeda em que as commodities são normalmente denominadas). Além disso, parte-se da hipótese de que não deve haver um padrão sazonal no mercado de commodities metálicas, já que a oferta deve se manter constante ao longo de um ano.
A análise dos resultados mostra que, no ano da realização dos Jogos Olímpicos, o índice que mede uma cesta de commodities metálicas (desde aço até estanho) e o preço internacional do cobre sobem durante o primeiro trimestre e parte do segundo trimestre, e começam a declinar a partir de então. Já durante a Copa do Mundo há uma leve tendência de alta, mas que perdura durante o segundo semestre, o que pode indicar pouca influência da Copa nos preços. Nos anos em que não há nenhum destes dois eventos, não há nenhum padrão (ver gráficos localizados no final do texto).
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Uma possível explicação para a diferença entre os comportamentos dos preços nas diferentes situações talvez se deva ao fato de que as instalações dos Jogos, em geral, não estão prontas, ao contrário do que ocorre com estádios de futebol, que já estão construídos, e que, em geral, precisam somente ser reformados ou expandidos. Enquanto a Copa do Mundo comporta apenas um esporte, no caso das Olimpíadas várias modalidades se passam em um mesmo período, exigindo maior quantidade de instalações em uma mesma cidade. Assim, com a proximidade do evento olímpico, provavelmente deve existir a necessidade de acelerar as obras de partes não previstas, pressionando a demanda e, assim, os preços. Com o término das construções, a procura se reduz e, junto com ela, o preço das commodities.
Logo, para 2012 e 2016, se os argumentos acima se sustentam, Londres e Rio de Janeiro terão que elevar os valores previstos dos gastos, ou senão realizar hedge no mercado futuro, de modo a se proteger contra movimentos bruscos em um mercado volátil, e, reiterando, com tendência de alta de longo prazo.
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Chau Kuo Hue é economista e escreve mensalmente na InfoMoney, às quartas-feiras.
chau.hue@infomoney.com.br