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No exato momento em que realiza lucro ou quando mantém uma posição ou ainda quando entra em uma operação, o investidor não está sob o domínio da emoção, ao menos é isso que ele pensa. No momento da decisão a mente nos assegura de que estamos certos e no caso do investidor, estar certo é estar agindo racionalmente.
A menos que o sujeito tenha na sua estrutura de personalidade a marca de perdedor, ninguém assume uma posição, sabendo que vai perder. Portanto, investidores tomam decisões na certeza de que estão agindo racionalmente. A sua mente respalda a decisão e confere o grau de segurança necessário para agir. Geralmente, é assim que acontece. Tanto que logo após uma decisão qualquer um poderá justificar com inúmeros argumentos os motivos da escolha. Dificilmente, alguém dirá que teve qualquer influência emocional.
| “A busca deve ser pela gestão adequada das emoções” |
Justamente, este é o grande perigo. Com exceção dos perversos que são isentos dos afetos, os seres humanos são influenciados pelas emoções. Portanto, a grande maioria toma decisão sob a influência das emoções ainda que não perceba isso. Daí entra o inconsciente, uma região mental quase inacessível, porém fortemente influenciadora. Mas nem todos são afetados da mesma maneira e, embora muitos não saibam qual é a influência afetiva em questão, conseguem “gerenciar as emoções” de forma mais adequada que outros.
A gestão eficaz da volatilidade das emoções diante do dinheiro é uma das principais diferenças entre um investidor bem sucedido e um mal sucedido. Desta forma, a busca não deve ser pelo trancafiamento ou pela ausência de afetos nas das tomadas de decisões, mas sim pela gestão adequada das emoções.
Para alguns, os afetos são mais facilmente gerenciáveis e uma das razões é o grau de reconhecimento, ou seja, não negam para si as próprias emoções e as usam a seu favor. Por outro lado, existem pessoas cujos afetos são desconhecidos, em geral, são mais intensos e inconstantes, causando prejuízos inclusive financeiros. Nestes casos, o autoconhecimento é uma ferramenta necessária para enfrentar a volatilidade emocional.
Quando o mercado afetivo interno se mostrar muito volátil, isto é, quando da certeza ao medo, da ganância ao desânimo ou da euforia à insegurança houver uma oscilação significativa num curto espaço de tempo, é um indicador de grande risco à vista. E o que faz um investidor bem sucedido diante de um cenário assim? A sua resposta será outro indicador do grau de volatilidade das emoções e da eficácia da ordem stop afetiva que cada um consegue estabelecer!
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Márcia Tolotti é psicanalista, psicóloga, MBA em Marketing e escreve mensalmente na InfoMoney, às quartas-feiras.
marcia.tolotti@infomoney.com.br