Colunista InfoMoney: A torneira ainda está aberta

O indicador de pedidos contínuos de seguro-desemprego nos EUA caiu pela primeira vez desde 2 de janeiro; início de estabilização do mercado de trabalho?
Um dos indicadores mais observados pelos analistas de economia norte-americana é o semanal de pedidos de auxílio-desemprego. Esse número é divulgado toda quinta-feira pelo Bureau of Labor Statistics (www.bls.gov). Há duas estatísticas importantes nesse relatório: pedidos iniciais (initial claims) e pedidos contínuos (continuous claims) de seguro-desemprego. O primeiro diz respeito ao fluxo de pessoas novas entrando no programa federal de ajuda aos desempregados. O segundo se refere ao estoque de pessoas que estão recebendo esse seguro-desemprego.

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Esse é o indicador do mercado de trabalho que antecipa as tendências do setor. Na semana passada, o continuous claims caiu pela primeira vez desde 2 de janeiro. Seria um indício de que o mercado de trabalho está começando a se estabilizar e há menos pessoas pedindo auxílio-desemprego? Nem tanto. Vejamos por quê.

Pela lei federal, o auxílio-desemprego pode durar até 26 semanas. Depois desse período, o indivíduo perde o benefício. Há um dispositivo na lei estadual que extende o benefício em períodos de alto desemprego, como hoje. Mas, as pessoas que ultrapassaram as 26 semanas e passaram a receber a extensão estadual (apenas 33 dos 50 estados possui esse complemento) não entram nas estatísticas. Portanto, o indicador do continuous claims se refere apenas às pessoas que estão dentro das 26 semanas.

“Quanto mais benevolente o estado, maior o aumento do desemprego”

Se observarmos a trajetória do initial claims de 26 semanas até hoje, veremos que tivemos um grande contingente de pessoas que começou a pedir o auxílio há exatas 26 semanas e, portanto, estaria desempregada, mas sem o benefício federal a partir desta semana.

Assim, quando temos a estatística de continuous claims em queda, isso pode significar duas coisas: (i) o indivíduo conseguiu um emprego novo; (ii) o indivíduo perdeu o benefício por estourar as 26 semanas. E pela dinâmica observada no mercado de trabalho temos uma grande quantidade de pessoas que estão no segundo caso.

Uma segunda evidência dessa tese é que a estatística de pessoas recebendo a extensão dos benefícios estaduais está crescendo sequencialmente. Por fim, uma terceira evidência é que a duração do desemprego é crescente, e já alcança, em média, 22 semanas. Ou seja, quase a totalidade do período de seguro desemprego.

Portanto, uma queda do continuous claims não significa, necessariamente, uma melhora no ambiente econômico. Pelo contrário, é possível que os que continuarem desempregados por longo tempo comecem a ficar sem auxílio algum.

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Há a extensão dos estados, mas em estudo analítico ficou bastante claro que, quanto mais benevolente o estado, maior o aumento do desemprego. Estados que estendem o benefício por 20 semanas têm desemprego maior que aqueles que o fazem por apenas 13 semanas que, por sua vez, têm uma taxa de desemprego superior àqueles estados que preferem não complementar os benefícios federais.

O que aumenta o bem estar social? Poucos indivíduos desempregados e sem seguro-desemprego ou um grande contingente de desempregados com ajuda oficial por mais algumas semanas? Assunto para outro artigo.

Ivo Chermont é economista da Modal Asset Management e escreve mensalmente na InfoMoney, às terças-feiras.
ivo.chermont@infomoney.com.br