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A crise econômica mundial está nos levando a um quadro há tempos não observado. Políticas econômicas antes condenáveis hoje são totalmente bem vistas. Esforços da maioria dos governos do mundo inteiro a fim de retirar os países da crise passam por uma reativação da demanda via política fiscal. Além disso, com todos os problemas do sistema financeiro no mundo, a probabilidade de nacionalização dos bancos vem se elevando, o que irá gerar novas pressões sobre as finanças públicas.
Qual é o comportamento do governo brasileiro no momento? Algumas tentativas de medidas fora da cartilha ortodoxa foram tentadas, mas, até o momento, nenhuma conseguiu ter a total aprovação do governo e dos órgãos de imprensa; e as que tiveram efetivação foram rapidamente alteradas.
| “É justificável a mudança na avaliação de risco para o Brasil?” |
A comprovação de uma boa gestão de finanças públicas até agora vem do comportamento da relação dívida/PIB. Antes do início da crise, essa se encontrava em 40% do Produto Interno Bruto e hoje se encontra em 36%, trajetória que não deve encontrar similaridades ao longo do globo. O CDS, índice que mensura o risco do Brasil, saltou de um patamar de 150 bps antes do evento Lehman Brothers para um patamar de 380 bps hoje. Como base de comparação, a Colômbia teve um salto de 190 bps para 430 bps, a Rússia de 170 bps para 730 bps, o Chile de 70 bps para 260bps e o México de 130 bps para 400 bps.
Dado o comportamento da relação dívida/PIB é justificável essa mudança na avaliação de risco para o Brasil? Claramente houve aumento generalizado do risco na maioria dos países do mundo, dada a nova avaliação com relação aos ativos que passou a vigorar após a quebra da Lehman Brothers. Comparativamente, vemos que o Brasil ainda é avaliado como um país mais arriscado do que o Chile e no mesmo patamar da Colômbia e do México.
O Chile é um país muito mais dependente de commodities que o Brasil e o preço de seu ativo mais exportado, o cobre, caiu de forma avassaladora desde o início da crise. Isso irá causar problemas sensíveis com relação à atividade e à dinâmica das contas públicas.
O México, por conta da proximidade com os EUA, irá sofrer forte desaceleração de atividade e tem suas receitas fiscais dependentes de petróleo, que caem junto com a queda expressiva de seus preços.
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Portanto, apesar da boa gestão fiscal que as estatísticas econômicas nos mostram, o Brasil não conseguiu se desvencilhar totalmente da piora do humor financeiro que acometeu o mercado mundial.
Tomás Goulart é economista da Modal Asset Management e escreve mensalmente na InfoMoney, às quintas-feiras.
tomas.goulart@infomoney.com.br