Colunista InfoMoney: A reforma fiscal é realmente necessária?

Desde o primeiro governo FHC, tentativas de se fazer uma reforma da legislação tributária brasileira vêm ocorrendo
O início do governo Lula foi marcado por tentativas de reformas microeconômicas. Estas tinham por objetivo principal corrigir diversas imperfeições da economia brasileira. Entre as reformas necessárias, um destaque relevante poderia ser dado para a reforma tributária, reconhecidamente uma das principais restrições a um crescimento potencial mais elevado.

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Como visto em Werneck (2008), os problemas principais do sistema tributário nacional começam a aparecer principalmente a partir da constituição de 1988. Nos anos 60, com a implementação do PAEG, o sistema tributário brasileiro foi desenhado como um vitorioso esquema de taxação de valor agregado. Com a redemocratização do país, a chamada “constituição-cidadã” falhou em munir o estado com mecanismos de proteção aos interesses da maioria da população contra múltiplas pressões de um grupo organizado que pretendia recuperar a “democracia perdida”.

Na verdade, a constituição ampliou o escopo do comportamento de rent-seeking do qual segmentos da sociedade brasileira se aproveitavam no exato momento em que os recursos fiscais da União estavam sendo reduzidos em favor de estados e municípios.

“Consideramos este patamar de impostos indiretos excessivamente elevado”

Desde o primeiro governo FHC, tentativas por parte do governo de se fazer uma reforma da legislação tributária brasileira vem ocorrendo. O problema do sistema fiscal brasileiro não está relacionado somente ao “quantitativo” – tamanho total da arrecadação gerador de imperfeições, mas principalmente ao “qualitativo”, por conta dos impostos em cascata. Atualmente, vemos que aproximadamente 55% da arrecadação está ligada a impostos diretos (na maioria imposto sobre folha de pagamento, de renda e lucros corporativos), enquanto 45% a indiretos (ICMS e COFINS).

Consideramos este patamar de impostos indiretos excessivamente elevado, com geração de importantes distorções. A tributação de bens e serviços ocorre de forma totalmente sem harmonia, produzindo sete diferentes impostos em três níveis de governo.

A última tentativa ocorre no governo Lula, que perdeu a oportunidade de fazer as reformas no início de seu governo, onde tinha maior força política para fazer maiores mudanças. O grande entrave normalmente é a dificuldade de convencer os governadores a abrir mão da cobrança de ICMS.

O governo buscou aprovar as medidas dividindo a proposta em duas: Aprovação de pontos menos polêmicos em uma primeira fase; com a discussão de propostas menos consensuais (mudanças no ICMS, por exemplo) para um segundo momento. A principal modificação tributária foi gerada pela aprovação de não-cumulatividade da COFINS, feita via lei ordinária, de fácil implementação e que gerou ganhos de eficiência significativos.

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A reforma tributária, hoje, se faz extremamente necessária para podermos elevar o potencial de crescimento brasileiro. Porém, atualmente, existe uma dificuldade política significativa para implementá-la. Como um dos principais objetivos do nosso presidente é o de elevar o crescimento da economia com estabilidade, a finalização dessa reforma faz-se de extrema necessidade.

Tomás Goulart é economista da Modal Asset Management e escreve mensalmente na InfoMoney, às quintas-feiras.
tomas.goulart@infomoney.com.br