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Coincidência? Com certeza não, em se tratando de um país como Brasil, exportador de commodities, com as principais empresas listadas na bolsa relacionadas aos produtos primários.
Com o aprofundamento da crise, o dólar se valorizou frente a quase todas as moedas do mundo, em particular, contra o real, que perdeu em torno de 50%. Por que isso ocorreu? Fuga de capitais, correção de overshooting? Acho que o gráfico acima dá uma dica: o CRB perdeu, desde seu máximo, em junho de 2008, em torno de 50%.
Como eu disse acima, o Brasil é um país cujas exportações são compostas por 60% de commodities e derivados. Quando há um grande ajuste nas expectativas de crescimento mundial, temos como corolário uma menor demanda por commodities, ajustando fortemente os preços das mesmas.
| “Podemos ver, em tempo real, nossa relação simbiótica com o resto do mundo” |
Isso tem dois impactos sobre o Brasil: (i) a balança comecial brasileira é fortemente afetada via preço (não necessariamente via quantum – o que também deve ocorrer, devido ao menor crescimento dos outros países); (ii) empresas brasileiras relacionadas a commodities (Petrobras e Vale são as duas expoentes) sofrem bastante perda de valor na bolsa, gerando, como consequência, menor fluxo financeiro para nosso mercado de capitais.
Assim, na iminência da crise e da queda de crescimento mundial, as commoditites sofrem um forte reajuste, afetando o balanço de pagamentos brasileiro e os termos de troca (preços dos importados x preços dos exportados). Entram menos dólares para a mesma quantidade de reais. Fica simples, dessa forma, entender porque nossa moeda, a cada dia, perde cada vez mais valor.
Neste momento, não tem relação com política específica do BC ou com escassez das linhas internacionais de crédito. Diferentemente do que o governo tenta pregar, não vivemos em uma ilha de prosperidade. Podemos ver, em tempo real, nossa relação simbiótica com o resto do mundo, e esta está intimamente relacionada à depreciação crescente dos preços das commodities.
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Ivo Chermont é economista da Modal Asset Management e escreve mensalmente na InfoMoney, às terças-feiras.
ivo.chermont@infomoney.com.br