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Já na NYBOT (New York Board of Trade) concentram as soft commodities (açúcar, café, cacau, suco de laranja e algodão), sendo o maior referencial de preços para os agentes do setor. No Brasil, a BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) desenvolve um papel muito importante para a formação dos preços no mercado interno, pois o Brasil é de longe um dos principais produtores de commodities agrícolas no mundo.
Não tocante, o objetivo aqui não é apresentar o que está por trás dos movimentos das cotações, mas sim aspectos recentes para um cenário jamais observado anteriormente. A dinâmica da formação dos preços sempre teve como premissa a lei clássica da oferta e demanda e fatores climáticos que promoviam algum tipo de ajuste no preço. Essa dinâmica reinou até 2006, após este período observou-se uma forte alocação de capital advinda dos Hedge Funds, no qual iniciaram grandes negociações no mercado futuro.
Esta alocação, ao meu ver, foi perversa para empresas e produtores do setor, pois promoveram fortes oscilações para um setor acostumado com pequenas volatilidades e ajustes de preços de natureza conhecida, como variações do clima ocorrido no ano de 2004.
Entretanto, por trás desta alocação de capital alguns fatores foram determinantes para iniciar um movimento especulativo. Ressalto dois fatores que agiram com maior intensidade na precificação das cotações:
- A sensibilidade de uma demanda altamente aquecida puxada principalmente pelos países asiáticos, dentre eles o de maior peso a China. Ou seja, observando o cenário de forte demanda pelas commodities agrícolas os fundos começaram atuar em grande escala no mercado futuro na ponta compradora, ou seja, apostando na alta das commodities.
“A perversidade causada pelo aniquilamento da lei base da oferta e demanda” - A utilização de grãos para a produção dos biocombustíveis. Vale ressaltar que este fator ajudou a alimentar o primeiro. De forma geral, a especulação em torno da nova geração de combustíveis verdes direcionaram fortes investimentos na construção de usinas e toda estrutura de produção e distribuição. Apoiado na alta do barril do petróleo, as possíveis altas taxas de retorno da comercialização dos biocombustíveis chamaram atenção dos grandes investidores e produtores. Criou-se assim o ambiente favorável para a especulação em torno das commodities agrícolas.
Ressalto que a especulação não é ruim para o mercado, mas em grande escala tende a criar fortes desequilíbrios na formação de preço e na cadeia de produção em determinados setores. Desta forma, chamo atenção para a perversidade causada pelo aniquilamento da lei base da oferta e demanda que regia as expectativas dos agentes do setor agrícola na formação dos preços após 2006.
Ademais, é notório a importância dos Hedge Funds para o mercado pois promovem liquidez, mas, nas escalas em que atuaram, causaram um forte desajuste nos preços e na estrutura de produção e o resultado disso foi as grandes perdas de empresas e produtores do setor.
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Ricardo André Jacomassi é responsável por análises setoriais das commodities agrícolas na LAFIS Consultoria Econômica e escreve mensalmente na InfoMoney, às quintas-feiras.
ricardo.jacomassi@infomoney.com.br