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Correr riscos é algo indesejável pela maioria das pessoas, mas é o risco que permite a possibilidade de um retorno maior do que a média. Sob uma perspectiva mais ampla, não existe nenhum tipo de ganho em qualquer área sem que se corra algum risco. No caso do mercado de ações, o nosso objetivo é obter um retorno maior do que a renda fixa e o preço a pagar é aceitar a possibilidade de um retorno negativo.
Durante uma tendência de alta, a percepção desse risco diminui, visto que os mercados geram ganhos consecutivos com pequenas baixas ocasionais. Isso faz com que os participantes se exponham mais ao risco, inadvertidamente. Quando uma reversão da tendência de alta ocorre, se percebe o risco que se estava correndo, mas nesse ponto, quando já existe uma perda de 40% ou mais da carteira fica tarde para tomar alguma atitude. Resta apenas aceitar o prejuízo e aprender a lição para não repetir o erro novamente.
| “Para o trader, é importante definir stops para as operações” |
Nessa hora é preciso colocar em discussão os modelos vigentes de controle de risco. Por exemplo, se acredita que investir em empresas com bons fundamentos reduz o risco de prejuízos. Apesar de já existirem evidências fortes que empresas com um P/L baixo oferecem um retorno melhor que a média, elas não estão imunes às correções fortes.
Outro conceito bastante utilizado é o de Var (Value at Risk), que usa a estatística da distribuição normal para identificar a chance de uma perda num determinado período de tempo. Esse é o maior problema dos modelos de precificação e risco que usam como base a ideia que o mercado é randômico e segue uma distribuição normal. Existem muitas evidências que demonstram uma frequência grande de movimentos amplos de preços, com mais de dez desvios padrões em relação à média, o que seria virtualmente impossível seguindo o modelo de distribuição normal. Uma frase famosa de David Einhorn resume bem o problema do Var e outras ferramentas baseadas no modelo de distribuição normal: -“É um airbag que funciona perfeitamente bem, a não ser quando você bate o carro”.
Do ponto de vista do investidor, existem dois aspectos que podem realmente diminuir o risco na hora de alocar o capital: o primeiro passo é diversificar. Alocar uma parte do capital em renda fixa, outra em renda variável. Mesmo dentro desses dois grandes ramos, é possível diversificar. Para a parcela do capital destinada a bolsa, é preciso colocar o seu capital em papéis de diferentes setores e de diferentes características, como blue chips e small caps. Com isso, mesmo que o preço de alguma dessas ações acabe indo para o pó, a rentabilidade das outras no longo prazo deve suprir essa baixa.
O segundo aspecto é a alocação aos poucos do capital. Ao invés de fazer uma única compra num papel, planeje o investimento em parcelas, para trabalhar com um preço médio que não fique nem perto de um topo e nem perto de um fundo do mercado. Quanto mais espaçadas forem as entradas, melhor. Um outro aspecto é realizar lucros parcialmente quando o mercado atinge targets pré-definidos.
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Para o trader, o sujeito que opera com foco no curto prazo e na dinâmica de preços, é importante definir stops para as operações. O stop é o ponto onde o mercado sinaliza uma mudança na expectativa inicial para os preços. Geralmente isso ocorre com a perda de um nível de suporte importante. O segredo é deixar o stop longe o suficiente para permitir ao mercado se movimentar dentro da volatilidade usual e perto o suficiente para não levar embora todo lucro já auferido na operação.
Também é extremamente importante para o trader realizar parcialmente os lucros quando o mercado atinge um objetivo mínimo de preço. Um trader não pode entrar numa operação sem saber exatamente quanto irá perder caso a expectativa de movimentação não se confirme. Nesse ponto o maior inimigo do trader é o gap, um movimento de grandes proporções de um dia para o outro. Para evitar perdas gigantescas diante desses gaps, limito a minha exposição a 1/3 do meu capital por operação, além da regra usual de não poder perder mais do que 2% do meu capital por trade.
Para saber lidar com o risco é preciso aceitar o fato que eventualmente o mercado poderá fazer fortes movimentos contra as nossas posições. Quem passou pela queda do mercado em 2008 aprendeu isso. Mas esse tipo de movimento não é isolado, já aconteceu antes e vai acontecer novamente. Quem estiver preocupado em controlar os riscos irá sobreviver e pode até lucrar nesse tipo de queda. Já aqueles que só enxergam os possíveis lucros que a bolsa pode gerar sempre vão perecer nas quedas fortes.
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Leandro Ruschel é sócio-fundador da Leandro&Stormer e escreve mensalmente na InfoMoney, às segundas-feiras.
leandro.ruschel@infomoney.com.br