Coluna: Pós-fixando carteira de ações hedgeada através da venda de Ibovespa futuro

Com a venda de contratros futuros DI “1 dia”, carteira fica protegida simultaneamente contra queda das ações e alta na Selic

Por  Paulo C. Coimbra
O Banco Central decidiu, na noite da última quarta-feira (24), elevar as alíquotas dos depósitos compulsórios dos bancos. Com base nesta medida, fica praticamente descartada a possibilidade de elevação na taxa básica de juros (Selic) na próxima reunião do Copom, a despeito das preocupações com o recrudescimento das taxas de inflação.

O objetivo da matéria de hoje é o de estender as discussões da matéria anterior, publicada no dia 25 de janeiro, na qual abordei sobre a possibilidade de se montar um hedge de uma carteira de ações através da venda de contratos do Ibovespa futuro.

“Carteira protegida,
simultaneamente,
contra queda das
ações e alta no
juro
básico

Como já dizemos antes, a decisão do BaCen reduz as possibilidades de que ocorra uma elevação, a curto prazo, da taxa básica de juros. Vamos supor, no entanto, que durante o período de vigência do hedge de uma carteira de ações exista o receio de que as taxas de juros se elevem.

Como, então, seria possível assegurar a rentabilidade da carteira hedgeada (se protegendo de uma eventual queda dos preços das ações) e, simultaneamente, tirar proveito de uma expectativa de elevação da taxa de juros?

Neste caso, para se tirar proveito de uma expectativa de elevação da taxa de juros, o que se deve fazer é vender contratos futuros de DI 1 dia, que permitirão transformar a remuneração pré-fixada de uma carteira de ações hedgeada – através da venda de contratos Ibovespa futuro – em uma em uma remuneração pós fixada em DI 1 dia.

Desse modo, a remuneração pós fixada (em DI 1 dia) da carteira de ações hedgeada através da venda de contratos Ibovespa futuro no período será igual à:

“Remuneração esperada = DI 1 dia + [(taxa pré fixada / taxa futura esperada DI 1 dia) -1]”

Onde: “DI 1 dia” corresponde à remuneração do DI 1 dia para o período;

           “taxa pré fixada” corresponde à remuneração pré-fixada da carteira de ações hedgeada através da venda de contratos Ibovespa futuro.

Desse modo, a carteira de ações fica protegida caso ocorra uma queda nos preços das ações e, simultaneamente, é possível tirar proveito de uma eventual expectativa de elevação das taxas de juros durante o período de vigência do hedge.

Paulo C. Coimbra é doutor em Economia na EPGE/FGV, professor da FUCAPE e FGV e escreve mensalmente na InfoMoney.
paulo.coimbra@infomoney.com.br

Compartilhe