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Segundo a FGV (Fundação Getulio Vargas), esse segmento foi responsável pela forte alta do Nuci (Nível de Utilização da Capacidade Instalada) – de 82,9% em novembro para 83,8% em dezembro. O Nuci de bens de capital, que estava em 73,7% em julho, foi para 76,9% em setembro, subiu para 77% em outubro, atingiu 77,9% em novembro e alcançou para 80,9% em dezembro. O dado atual superou a média histórica dos últimos dez anos do setor, de 79,7%, e indica que os investimentos estão se recuperando depois da crise global. O consumo de eletroeletrônicos e eletrodomésticos também está elevado e se reflete nos estoques.
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) prevê um crescimento de 6,2% para a economia brasileira em 2010, após fechar este ano com uma expansão de 0,4%. Conforme as últimas projeções da entidade, o desempenho de 2010 será sustentado pelo consumo doméstico e pela retomada dos investimentos. Por exemplo, a FBCF (formação bruta de capital fixo), que reúne investimentos voltados à produção, deverá avançar 19,6% no próximo calendário, diz a Fiesp.
Além do nosso crescimento, em 2009, ficou evidente que os países emergentes no geral apresentaram uma retomada mais rápida e sólida do que as economias desenvolvidas diante da crise financeira. E mesmo com a forte expansão das bolsas destes mercados vista ao longo deste ano, a tendência é que em 2010 os países que não fazem parte dos mais ricos do planeta continuem sendo mais atrativos.
É nisso que acredita o analista-chefe de mercados globais do UBS, Jeffrey Palma. Em entrevista à rede televisiva Bloomberg, Palma apontou diversos fatores para defender sua posição, afirmando que “os mercados emergentes realmente são os únicos lugares para se estar” em 2010. Um dos argumentos levantados pelo estrategista do banco suíço está associado às expectativas de ganhos corporativos. De acordo com Palma, o crescimento dos lucros das companhias emergentes deverá superar os ganhos das empresas localizadas em países desenvolvidos em pelo menos 10%.
E o otimismo ainda continua. Será um ano fantástico para o mercado internacional de ações, como acreditam os analistas do ING Investment Management? A Bloomberg fez uma pesquisa sobre a opinião dos analistas dos principais bancos de investimento para antecipar o desempenho das ações no próximo ano, verificando que, entre as 16 instituições consultadas, somente uma discorda que haverá uma valorização que poderá chegar até a faixa dos 20%.
Essa é a expectativa de alta para as quase todas as bolsas de valores de todo o mundo. A média das respostas sinaliza que o Índice do Dow Jones Stoxx 600 registrará o melhor desempenho desde 1999 e, com ganhos de quase 30%, permitirá que seja quebrado o recorde de 5,5 bilhões de euros em valor de mercado. Os analistas do Goldman Sachs e do Bank of America são dos mais otimistas e prevêem que na Europa poderá haver alta de aproximadamente 11% em 2010.
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| “Ibovespa pode atingir 80.000 no final do ano” |
No que se refere a nossa realidade, Luiz Antônio “Parddal”, da TCX Trading, visualizou o desempenho do Ibovespa desde 1998 e traçou suas perspectivas para o principal índice de ações da bolsa paulista em 2010, amparado pela Teoria de Elliott. Segundo sua análise, ocorreram três recontagens, culminando em uma Onda 1 no topo histórico do índice (73.920 pontos) e consequente formação de um movimento corretivo representado pela Onda 2, representada pelo fundo do mercado em 29.435 pontos – retração de 61,8% de toda perna de alta vinda desde 1998.
Nesta perspectiva, Parddal antevê um fractal menor dentro da Onda 2, representados pelas letras. Como se pode constatar, vamos finalizar 2009 em meio ao movimento de uma onda “b”, que pelos conceitos de Elliott, é precedida por uma onda “c” de correção, ou seja, há probabilidade de queda para 2010.
Contudo, lembra Parddal, não há como antever a intensidade do movimento de correção (onda “c”), apenas traçar seu objetivo de queda através dos números de Fibonacci. Pela Teoria de Elliott, há maior probabilidade do movimento de retração alcançar 50% da última perna de alta (da onda “a” até onda “b”), culminando nos 47.430 pontos. Como havia lembrando, não existe a possibilidade de precisar o tamanho desta caminhada, apenas acompanhar o movimento corretivo e se posicionar.
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Por este ponto de vista, existe a probabilidade de a correção atingir 38,2% da última perna de alta, ou seja, parar na casa dos 60.000 pontos. Concretizado a onda “c”, de característica corretiva do último movimento de alta, Parddal traça uma nova onda de valorização, conhecida como Onda 3, que é a mais forte dentre todas as ondas de impulsão. Com base nas retrações de Fibonacci, o objetivo primário e mais provável da Onda 3 localiza-se próximo dos 80.000 pontos (38,2% do movimento), sendo 50,0% representado pelos 96.150 pontos. Isso pode se dar ainda no final do ano ou já em 2011.
Num contexto mais global, o principal que os investidores precisam saber sobre o que vai acontecer nos próximos dez anos é se será um período bom ou ruim para as ações, segundo a opinião do analista Matthew Lynn que, depois de uma série de simulações, chegou à conclusão de que a próxima será uma década boa.
O especialista da Bloomberg se baseia em três hipóteses: a) a suposição de que, nos próximos anos, deverá haver uma escassez de capital em todas e quaisquer fontes, menos no mercado de ações; b) porque se espera uma inflação moderada, mas persistente; e c) porque existe a possibilidade de o crescimento econômico ser mais forte do que muitos economistas esperam. Isso significa que a próxima década será um período em que as ações voltarão a se revitalizar.
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Para Matthew Lynn, como os mercados normalmente funcionam em ciclos com a duração de uma década, salienta, referindo que a década que agora termina foi má para as ações, pois os grandes mercados não registraram progressos nos últimos dez anos. E, dentro de uma série de exemplos, apresenta o comportamento do índice FTSE-100, do Reino Unido, que atingiu o recorde de 6.930 pontos em dezembro de 1999 e, uma década depois, oscila ao redor dos 5,3 mil pontos. Da mesma forma, o indicador alemão Dax caiu de 8 mil pontos em março de 2000 para um pouco menos de 6 mil pontos atualmente.
Sabedores de que o investimento em renda variável tem seu retorno bem determinado no médio/longo prazo, não temos dos que nos queixar nem temer em termos de futuro. Se o ano corrente não corresponder totalmente (estaremos em ano eleitoral), o próximo dará luz a mais lucratividade, esta embalada pelo próprio forte crescimento de nossa economia, que já agora tratou de botar as rodas para funcionar a todo vapor.
Gil Ari Deschatre é professor da FGV e do Ibmec e escreve mensalmente na InfoMoney, às segundas-feiras.
gil.deschatre@infomoney.com.br