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SÃO PAULO – Nem bem começaram as liquidações do estoque da coleção Primavera/Verão e os estilistas já estão lançando a de Outono/Inverno. Prova disso é a São Paulo Fashion Week, um dos principais eventos do calendário da moda nacional, que começa na próxima quarta-feira (24).
A tendência prometida para este ano é o cinza, com calças afuniladas e mangas grandes. Paetês e as cores douradas e prata também são bem-vindas. No entanto, a moda elitizada da SPFW não é acessível a todos. Grandes marcas são sinônimos de grandes gastos. E para quem não pode gastar à revelia, existe sempre o mercado alternativo.
Itens similares
Enquanto, de um lado, modelos magríssimas desfilam pelas passarelas mostrando as tendências das duas próximas estações, qualquer pessoa pode passear pelos bairros do Brás e do Bom Retiro, na cidade de São Paulo, para conferir itens similares a um preço nada parecido.
Mas, se você gosta de gastar pouco, mas prefere evitar o mercado “ultra-popular”, se acalme. Gente que entende do assunto indicou quais são os lugares onde são encontrados produtos de mais qualidade no comércio de rua.
Viajando em busca de novidades
Assim como fazem as grandes marcas, as fabricantes nacionais viajam, pelo menos, duas vezes por ano para o exterior, a fim de verificar qual a tendência da última moda. “Como o hemisfério norte está uma estação adiantada da nossa, os estilistas já vão para lá absorver as mudanças da moda”, afirmou o presidente da Associação de Lojistas do Brás (Alobrás), Shlomo Shoel.
Com as novidades na mala, o que resta é adaptar a tendência vista em outros países para a realidade brasileira. E, ainda por cima, cobrar o que Shoel considera como um “preço justo”. “Existe uma série de valores que são agregados ao produto”, explicou. Segundo ele, a cada “troca de mão” de uma peça, seu valor dobra. Isso por conta da alta carga tributária brasileira. “Por exemplo, se uma fabricante fornece peças a uma rede varejista, e cada item foi vendido a R$ 34, o consumidor terá de pagar, no mínimo, uns R$ 70, por conta do que foi gasto no processo”, contou.
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E quando se trata de uma marca famosa, o preço é ainda maior. E o motivo são os royalts e outras cobranças. Com isso, o comércio que vende o mesmo produto com uma etiqueta não tão famosa, consegue um valor mais conta, já que trata direto com seu comprador, sem intermediários.
Estoques
A expectativa é que todas as lojas do Brás estejam com o estoque abarrotado de produtos da coleção Outono/Inverno a partir de março. “Na rua, os preços chegam a ser até 30% menores, porque, inclusive, não são necessários gastos de luxo, como aluguel de shopping”, adicionou Shoel.
Conforme ele, uma calça de boa qualidade, por exemplo, pode ser encontrada – tanto para homem, quanto para mulher – a um preço médio de R$ 75 a R$ 85. “É claro que a pessoa encontra calças a R$ 10, mas não são confiáveis”, explicou. “É preciso ‘pescoçar’ bastante, caminhar, pesquisar bem”, adicionou o presidente da Alobrás, lembrando que os melhores pontos do bairro são as ruas Muller e Oriente. Mas as ruas Mendes e Maria Marcolina também não podem sair da rota dos compradores.
Da Europa direto para o Bom Retiro
O filho do presidente da Alobrás e diretor das lojas Guelt, Fábio Shoel, afirmou que viaja pelo menos duas vezes a cada coleção para buscar o que o mercado internacional usa. Os destinos? Londres, Paris, Milão e Nova York, os centros de informação da moda.
E quem pensa que o mercado de rua deixa a desejar no que diz respeito à qualidade, está muito enganado, garantiu Fábio. Muitas lojas do Bom Retiro, onde está localizada a Guelt, fornecem seus produtos a grandes revendedores.
“Aqui fazemos uma peça mais diferenciada, mais elaborada. Atendemos as pessoas que querem comprar uma roupa acessível, mas com informação de moda”, afirmou, adicionando que a loja produz peças voltadas para o publico jovem.
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Segundo ele, o segredo do preço baixo é o volume. “Usamos os mesmos tecidos de grandes marcas, das mesmas fábricas, mas trabalhamos com margem menor de lucro com quantidade maior. E como a pessoa compra em rua, não tem tantos custos que encarecem o produto”, completou.
Do Bom Retiro direto para shoppings
Fábio afirmou que 20% da fabricação da Guelt vai para seus revendedores. São lojas de shopping de dentro e fora de São Paulo, cujo único diferencial é a etiqueta. A loja vende desde vestuário a acessórios, com preços que variam de R$ 30 a R$ 150.
Para se ter uma idéia, o preço médio de uma calça jeans está em R$ 75. Levando em consideração que o mesmo produto da marca Diesel é encontrado a R$ 1 mil, é fácil fazer a divisão: com o preço desta, é possível comprar até 15 peças daquela.
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Opinião de quem entende
A marca paulistana de jeans Rowers, que produz tanto peças femininas quanto masculinas, também é um bom exemplo. O design fashion conta com a assinatura de Aléssia Anzaloni, que já passou por marcas como Zoomp, Ópera Rock e Triton. “Vamos mostrar as principais tendências que usaremos no inverno, mas nossa produção criativa é constante”, afirmou.
As peças, até então, eram uma adaptação brasileira de tendências internacionais. “Queria alguém que tivesse know-how de grandes grifes, que pudesse selecionar os melhores tecidos, lavagens, tags e garantisse uma excelente finalização do produto”, explicou Marcos Robledo, dono da marca, sobre a contratação.
“Hoje temos um cuidado maior com cada peça da linha. Se antes demorávamos 20 dias para finalizar uma peça, hoje levamos 35”, contou Aléssia.