Setor de educação

Cogna (COGN3): Bradesco BBI reinicia cobertura para ação com recomendação de venda e preço-alvo de R$ 2,10

Equipe de análise aponta aguardar uma recuperação mais forte e melhor visibilidade na plataforma; recomendação para Yduqs e Ânima é de compra

Por  Equipe InfoMoney

O Bradesco BBI tem retomado nas últimas semanas a cobertura para as ações de empresas do setor de educação. Nesta segunda-feira (7), Marcio Osako, analista do banco, reiniciou a cobertura para as ações da Cogna (COGN3) com recomendação underperform (desempenho abaixo da média do mercado), ou equivalente à venda.

O preço-alvo é de R$ 2,10, o que configura uma queda de 16% em relação ao fechamento de R$ 2,49 da última sexta-feira (4).

O analista aponta aguardar uma recuperação mais forte e melhor visibilidade na plataforma.

A visão mais cautelosa é baseada em: (i) fracos fundamentos de crescimento de receita no principal negócio de ensino superior (3% de CAGR – taxa média de crescimento anual – para o período de 2021-2024 versus projeção para a Yduqs de 12% e 8% para Ânima), representando 66% do lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) em 2022 ; (ii) resultados operacionais fracos projetados em 2022, com Ebitda crescendo apenas 7% em base anual; (iii) valuation (downside de 16% em relação ao preço-alvo); e (iv) contingências relacionadas a passivos, que devem continuar pesando nos resultados, além do fluxo de caixa (12% do Ebitda ex. IFRS 16 nos primeiros nome meses de 2021).

O banco vê a avaliação da Cogna como pouco atrativa com base no preço-alvo de R$ 2,10, o que implica uma queda de 16% no preço atual da ação. Em termos de preço sobre lucro (P/L), a ação está sendo negociada com um prêmio em relação aos pares em 14,6 vezes para 2023 versus 9,5 vezes para Yduqs (YDUQ3) e 12,9 vezes para Ânima (ANIM3), avalia o analista.

O BBI destaca ser mais conservador do que o guidance (projeção) da empresa para 2024 (Ebitda de R$ 2,4 bilhões e geração de caixa operacional de R$ 1 bilhão após investimentos em capital, ou 38% e 28% acima das estimativas do BBI, respectivamente).

Isso dado: (i) o estágio inicial dos negócios da plataforma e novas iniciativas digitais (exemplo a Ampli); e (ii) risco de execução relacionado ao crescimento de 70% do Ebitda em dois anos (2022- 2024), com base em sua projeção para 2022 (R$ 1.411 milhões, 6% acima do consenso). O preço-alvo poderia subir para R$ 3,40 assumindo o guidance de fluxo de caixa, aponta.

Yduqs e Ânima com recomendação de compra; YDUQ3 é preferida

No dia 1 de fevereiro, o BBI iniciou sua cobertura para Yduqs com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) com preço-alvo de R$ 30, ou potencial de alta de cerca de 39% em relação ao fechamento de sexta-feira (4), destacando combinação atraente de crescimento e valor.

A visão positiva da casa é baseada em: (i) fundamentos de forte crescimento de receita (taxa de crescimento médio anual ponderado no período de 2021-2024 de 12% organicamente) na maturação dos segmentos de medicina e digital, e uma recuperação do presencial; (ii) bom momento de resultados com lucro líquido crescendo 29% em 2022 (versus queda de43% na variação anual em 2021); e (iii) valuation atrativo.

O principal gatilho na visão da equipe de análise será seu número de matrículas no primeiro semestre de 2022 (esperam que o presencial volte ao seu nível pré-pandemia, auxiliado por novos programas híbridos, lançados no segundo semestre de 2021), e os resultados do primeiro trimestre de 2022 mostrando forte crescimento de receita (15% na variação anual), bem como a expansão da margem Ebitda (Ebitda sobre receita líquida), com alta de 2 pontos, para 32%.

A equipe de análise destaca que a companhia está melhor posicionada para capitalizar a fragmentação do mercado e as
tendências digitais.

“Vemos YDUQ3 como o player mais bem posicionado para alavancar a fragmentação do mercado (as 3 principais empresas detêm cerca de 24% das receitas do mercado) e a tendência de digitalização em andamento (acelerada pela pandemia e pela regulamentação de dezembro de 2019 que permitiu que as atividades de DL – ensino à distância – atingissem 40% de carga horária presencial, a partir de 20%; e a eventual autorização de cursos de direito à distância)”, avaliam.

Isso se deve por ter: (i) a maior escala; (ii) portfólio diversificado com forte presença em EAD- Ensino à distancia (número 2), medicina (número 3 com 1.405 vagas) e cursos presenciais (número 1), além de oferta premium com IBMEC; (iii) uma plataforma digital robusta; e (iv) melhorias recentes na qualidade geral (acadêmica com sistema de aprendizagem EnsineMe,
infraestrutura do campus e transformação digital, após fortes investimentos iniciados em 2020) que levaram o NPS estudantil a melhorar 19 pp para presencial e 22 pp para EAD em 2021 (impactos na retenção, número de
matrículas e preços nos próximos anos são riscos de alta).

O BBI prefere Yduqs à Ânima, para a qual reiniciou cobertura em 27 de janeiro também com recomendação de compra, devido ao impulso de lucros mais atraente (crescimento de receita mais forte e expansão de margem) e seu valuation.

O preço-alvo para ANIM3 é de R$ 11, ou um potencial de valorização de 36% em relação ao fechamento de sexta. Os analistas destacam que a empresa é um player premium com valor atrativo.

Para o banco, a visão positiva baseada em um valuation atraente após queda de 43% no preço das ações desde o pico em julho, negociando 20% abaixo em relação à sua média histórica com um CAGR para o Ebitda de 18% entre 2022-24 com base nas sinergias da Laureate.

Além disso, ela tem um posicionamento mais resiliente dado que cerca de 50% dos resultados operacionais são derivados da medicina e os maiores índices de qualidade de suas marcas em geral e há upside de sinergias e fusões e aquisições.

“Acreditamos que a Anima deve revisar as sinergias da Laureate para incluir ganhos de preço e eficiência de custo do ensino a distância e está no radar o IPO da Inspirali (com melhor precificação de ativos e criação de valor por meio de fusões e aquisições, além de haver um cenário mais positivo para a captação presencial à frente”, apontam.

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