Coaf: Corretoras cripto realizaram informes “de pouca utilidade” para identificar fraudes

Órgão fechou em agosto canal que empresas usavam para informar potenciais casos de lavagem de dinheiro com criptos

Paulo Barros

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Os informes recebidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) emitidos por corretoras de criptoativos no Brasil foram “de pouca utilidade para fins de [identificar] lavagem de dinheiro”, disse na terça-feira (20) Rochelle Pasiani, coordenadora-geral de Inteligência do órgão, em fala durante congresso promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

A representante do Coaf afirmou que, embora dezenas de players do mercado tenham pedido acesso ao canal de informação, cerca de 80% dos dados eram repassados por duas ou três empresas. Segundo Rochelle, os informes tinham o que ela chama de “uma série de questões de deficiência”, o que acabou dificultando o trabalho dos técnicos.

“[Os informes] se baseavam em critérios muito automatizados. Às vezes [as corretoras] simplesmente comunicavam todo mundo que fazia uma uma transação acima de determinado valor, nem especificavam se era uma compra de ativos virtuais ou uma venda. Não especificavam o ativo, não davam um detalhamento de qual endereço do blockchain estava envolvido”, explica.

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Pela fragilidade dos dados que tinham em mãos, disse a coordenadora, o Coaf achou por bem encerrar o canal que havia sido aberto para exchanges que o solicitaram por iniciativa própria.

Rochelle ainda esclareceu que o acesso era um “teste”, e que difere muito do cadastro convencional no Siscoaf, exigido por lei a empresas que atuam em setores considerados sensíveis – até aqui, não é o caso das corretoras de criptomoedas.

“Com a possibilidade de aprovação do projeto de lei [de regulação dos criptoativos], o teste está encerrado. Vamos aguardar que essas instituições sejam devidamente cadastradas no seu regulador próprio para então poderem, com maior qualidade, realizar comunicações para o Coaf”.

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O acesso às exchanges foi encerrado em 5 de setembro. No anúncio da medida, realizado em 30 de agosto, o órgão não chegou a detalhar os motivos pelos quais havia decidido fechar o canal.

Na época, um especialista em regulação consultado pelo InfoMoney afirmou que a iniciativa era “inoportuna, por transmitir uma mensagem negativa aos agentes de mercado, buscando apoio em uma lei que demorará uma ‘eternidade’ para ter algum efeito prático”.

Paulo Barros

Editor de Investimentos