CNBC questiona: o Brasil irá reverter os ventos contrários e se recuperar?

De acordo com analista entrevista pelo portal norte-americano, Brasil ainda é uma opção "quando se olha para um horizonte de 5 a 10 anos"

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SÃO PAULO – A inflação brasileira, a desaceleração da economia e o risco político devem afastar o investidor do País? De acordo com o analista para América Latina da Maplecroft – uma consultoria estratégica de risco global -, James Lockhart Smith, essa conclusão não é necessariamente óbvia, conforme destacou em entrevista para o portal norte-americano CNBC.

“Acho que os fundamentos de longo prazo para o País ainda são bastante bons, quando se olha para um horizonte de 5 a 10 anos”. E isso não é relativo apenas a taxa de crescimento da economia, mas também onde estão boas oportunidades de investimento.

E destaca, por exemplo, que o Panamá tem uma taxa de crescimento muito maior, mas que o Brasil ainda é a principal economia da região e, deste modo, não seria tão pessimista. Smith avalia: “não é tão bom quanto o governo fala, mas nem tão ruim quanto vários economistas dizem”.

Contudo, a reportagem da CNBC faz um contraponto à visão otimista de Smith, destacando que os fundamentos econômicos do país estão “bambos”. O PIB (Produto Interno Bruto) do País diminuiu de 7,5% em 2010 – quando a economia estava em grande parte “alimentada” por investimentos estrangeiros, a expansão do crédito e do consumo – em relação ao previsto de cerca de 2,5% em 2012 e 2013, segundo dados do FMI (Fundo Monetário Internacional).

Além disso, a inflação deve manter bem acima do centro da meta do Banco Central de 4,5%; enquanto isso, a tendência é de alta para a taxa básica de juros, a Selic, para um recorde de 10%, a maior desde março de 2012. E, neste cenário, Smith ressalta que a inflação deve seguir acima da meta, ficando ao redor de 5,7%. Com isso, a expectativa é de que haja mais dois aumentos de taxa de juros em 25 pontos-base cada antes de meados deste ano.

Em um cenário de preocupação sobre a economia, que está bastante conturbada, a Fazenda pagou o maior rendimento em dez anos, e que pode aumentar ainda mais em meio à eleição presidencial em outubro, destacou o analista da Maplecroft. No curto prazo, isso significa que há um risco político grande. Soma-se a isso a desaceleração do crescimento e a desvalorização do real desde que o Fed dos EUA anunciou a sua intenção em maio passado para a redução do seu programa de estímulo monetário.

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No momento, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, acusou os EUA de engajarem-se em “guerras cambiais” para desvalorizar a moeda. Contudo, o real se enfraqueceu sucessivamente. Neste sentido, a situação é muito irônica, dada a retórica do Brasil que costumava ter sobre as guerras cambiais de alguns anos atrás. 

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.