Cripto no Futebol

Clube tenta driblar banco central argentino com venda de jogador ao São Paulo usando criptomoedas

Segundo apurado pelo CoinDesk, no entanto, jogada deverá sair pela culatra

Por  Andrés Engler -

BUENOS AIRES – Na semana passada, o São Paulo Futebol Clube anunciou a contratação do jogador Giuliano Galoppo, do clube argentino Banfield. A notícia da transferência, comum no mercado do futebol, ganhou espaço também nos cadernos de economia. O motivo é que o pagamento foi feito com USD Coin (USDC), uma stablecoin, por meio da exchange latino-americana Bitso.

Thales Araújo de Freitas, CEO da Bitso no Brasil, chamou a transação de um “momento histórico para a corretora, para o São Paulo e para o futebol sul-americano de forma mais ampla”.

E não é por acaso que o clube brasileiro, um dos maiores do país, experimentou criptomoedas em uma negociação. Em janeiro, a Bitso, primeiro unicórnio cripto da América Latina, tornou-se patrocinada do time, dono do Estádio do Morumbi.

O anúncio gerou particular interesse na Argentina, onde foi interpretado como uma tentativa do Banfield de contornar as atuais restrições cambiais do país, que obrigam os exportadores (inclusive de jogadores) a converter dólares americanos em pesos argentinos (ARS) no prazo de cinco dias após a transação.

O uso da stablecoin para fugir do Banco Central da Argentina (BCRA) nesse caso faria sentido porque a instituição bancária não menciona a palavra criptoativo em seus regulamentos.

Se o Banfield fosse obrigado pelo BCRA a liquidar o valor recebido no mercado de câmbio oficial, usaria a cotação de 131 pesos argentinos por dólar. No entanto, no mercado informal, a moeda americana tem a cotação real de 300 pesos argentinos.

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Dante Disparte, diretor de estratégia da Circle, uma das empresas por trás da USDC, tuitou que o ativo digital foi usado “como meio de pagamento para evitar o risco cambial”.

Em novembro, a Circle e a Bitso formalizaram um parceria para lançar um produto de transferência internacional e, até agora, o relacionamento tem tido sucesso. A exchange processou US$ 1 bilhão em remessas de criptomoedas entre o México e os Estados Unidos no primeiro semestre de 2022 – um aumento de 400% em relação ao mesmo período do ano passado – e planeja processar mais US$ 1 bilhão até o final de dezembro.

A operação entre os clubes São Paulo e Banfield pode ter custado menos do no no sistema Swift, plataforma internacional de troca de informações bancárias.

Entretanto, o clube argentino pode não conseguir, ainda assim, evitar o risco cambial, como disse Disparte. Isso porque a equipe será obrigada a converter o valor total da transação em pesos argentinos pela taxa de câmbio oficial do país, disseram fontes do BCRA ao CoinDesk.

Nenhum dos clubes divulgou valores, mas o negócio foi estimado em US$ 8 milhões pelo jornal argentino La Nación. É uma quantia significativa para um time do tamanho do Banfield.

O uso de criptomoedas também cria outras dificuldades para o time argentino. Por ter negociado USDC, o clube será proibido por 90 dias de acessar o mercado de câmbio oficial para comprar jogadores com base na taxa oficial, seguindo uma resolução do BCRA publicada na semana passada.

O Banfield, se mantida a palavra do BCRA, receberá 1 bilhão em pesos argentinos após a transação. No entanto, receberia 2,4 bilhões da moeda oficial do país se utilizasse o câmbio informal, onde a cotação do dólar é 130% mais alta, pois as reservas do BCRA estão esgotadas e negativas em US$ 4 bilhões.

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