Clima x alimentos: consumidor deve se preparar para alta nos preços

Tubérculos, grãos, leite e carne são os produtos mais afetados pelo excesso de chuva em MG e a estiagem no Sul

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SÃO PAULO – A ocorrência de fortes chuvas nos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro e também a estiagem que a região Sul do País está sofrendo, principalmente no Rio Grande do Sul, deve afetar direta e indiretamente o preço dos alimentos para os consumidores do estado de São Paulo.

De acordo com a assessora econômica da Fecomercio (Federação do Comércio do estado de São Paulo), Julia Ximenes, o consumidor deve perceber as consequências das condições climáticas que o Brasil tem enfrentado desde o final do ano passado, principalmente no preço dos grãos, como milho e soja. Tubérculos, como beterraba e batata, também devem ficar mais caros, além da carne e do leite.

Além disso, o estado deve sofrer com problemas no escoamento dos produtos. “Em Minas Gerais, seis rodovias federais foram prejudicadas pelas chuvas, e isso pode fazer com que os alimentos demorem mais para chegar a São Paulo. Também pode ocorrer perda de produtos durante o trajeto, por conta da demora e das más condições das estradas”, explica.

Apesar de não saber estimar ainda qual será o tamanho desse impacto, Julia afirma que o consumidor deve escolher bem antes de comprar. “O consumidor precisa pesquisar bastante e substituir os itens para tentar burlar os aumentos”, aconselha.

Gado
O estado de Minas Gerais é responsável por 24% da produção total de leite no Brasil; no Rio Grande do Sul, a representatividade é de 17%. As duas regiões foram as mais afetadas pelas condições climáticas adversas, por isso, segundo Julia, a produção deve ficar abaixo da estimada para o período.

No Rio de Janeiro, embora a representação seja bem menor, de 1,5%, e a produção seja usada unicamente para abastecimento local, estima-se que, com as chuvas, sejam perdidos 50 mil litros de leite da produção atual. “Essa situação deve afetar indiretamente os preços para o consumidor paulista, pois o estado de São Paulo deve sofrer maior concorrência na hora de comprar leite de outras regiões”, afirma a assessora.

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Em relação às carnes, a alta deve ser caracterizada não só pelos problemas com o gado, mas também com a produção de grãos para ração animal.