Clima ruim em Wall Street contagia o Ibovespa, que sofre pressão extra de Vale

Fala de Greenspan e indicadores ruins pesam lá fora, enquanto baixa das commodities pressiona bolsa por aqui; dólar em queda

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SÃO PAULO – Entre temores com a saúde da economia dos EUA e baixa no preço das commodities, os mercados vivem um pregão marcado por perdas. As palavras de Alan Greenspan preocupam Wall Street, que também sofre com indicadores piores que o previsto. Por aqui, o Ibovespa sente o mau humor externo e estende o movimento declinante da véspera, orientado por blue chips produtoras de matérias-primas.

“Ainda existe muito capital a ser levantado no sistema bancário comercial norte-americano”. Com esta frase, o ex-presidente do Federal Reserve reacendeu as preocupações em torno do setor financeiro norte-americano. Greenspan prevê ainda que há alto potencial das perdas relacionadas a crédito se multiplicarem no horizonte, enquanto os preços dos imóveis não aplanarem.

Considerado pelos especialistas como um dos segmentos mais afetados pela crise mundial, o mercado de trabalho dos EUA volta a dar sinais de fraqueza. Apesar de ter ficado abaixo da medição anterior, o número de pedidos de auxílio-desemprego no país ficou acima das expectativas do mercado na última semana. Ainda no âmbito econômico, o nível de atividade industrial na região da Filadélfia teve recuo superior ao esperado pelos analistas durante o mês de maio.

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Na esfera corporativa, o Regions Financial Corp vê suas ações caírem 17%, depois de realizar uma oferta de ações no montante de US$ 400 milhões. Em contrapartida, a UAW (United Auto Workers), sindicato dos trabalhadores do setor automotivo, anunciou um acordo com a GM (+10,3%) e o Tesouro norte-americano para reestruturar a dívida da montadora com fundos de pensão e planos de saúde dos funcionários.

Vale e Petrobras

Acompanhando a trajetória declinante das bolsas norte-americanas, o Ibovespa registra forte baixa nesta tarde, sob pressão dos papéis de Vale e Petrobras. Por outro lado, no setor de alimentos, novamente as ações de Sadia e Perdigão aparecem com a maior valorização do benchmark.

Figurando como um dos principais responsáveis pela queda da bolsa brasileira, os papéis da Vale registram forte queda nesta tarde. As ações sentem a queda no preço dos metais.

Já no caso da petrolífera, diretores da ANP (Agência Nacional do Petróleo) confirmam a decisão de negar o pedido da estatal para a prorrogação dos prazos exploratórios nos campos do Pré-sal localizados na bacia de Santos. Também acompanhando a queda nos preços do petróleo, as ações da estatal caem.

Por outro lado, os ativos de Sadia e Perdigão voltam a liderar os ganhos do índice. Nesta sessão, a primeira informou que seus acionistas terão um prazo de 30 dias para efetuarem a retirada do valor correspondente às ações incorporadas à companhia, que ainda será calculado.

Ibovespa cai

O Ibovespa apresenta baixa próxima de 2,6% nesta tarde e atinge 49.800 pontos. O volume financeiro é de quase R$ 3 bilhões.

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Entre os destaques de queda estavam os papéis
Lojas Renner ON (LREN3, -6,23%),
Vivo Part PN (VIVO4, -5,58%),
Pao de Açucar PN (PCAR4, -4,96%),
Lojas Americanas PN (LAME4, -4,92%) e Embraer ON (EMBR3, -4,90%).
Por outro lado, as ações
Sadia PN (SDIA4, +5,76%),
Perdigão ON (PRGA3, +5,01%),
TIM Part ON (TCSL3, +2,06%),
CCR Rodovias ON (CCRO3, +1,06%) e Trans Paulista PN (TRPL4, +0,89%).
encerraram a manhã em alta.

Os maiores volumes ficaram com
Vale Rio Doce PNA (VALE5, R$ 552,91 milhões), Petrobras PN (PETR4, R$ 353,39 milhões), Vale Rio Doce ON (VALE3, R$ 164,71 milhões), BMF Bovespa ON (BVMF3, R$ 106,90 milhões) e Petrobras ON (PETR3, R$ 106,82 milhões).

Dólar cai

Contrariando a trajetória de alta observada na abertura dos negócios, o dólar comercial segue na tarde desta quinta-feira (21) perto dos R$ 2,02 na venda, o equivalente a 0,2% de desvalorização frente ao fechamento anterior.

Na quarta-feira, o Governo anunciou uma nova revisão das projeções para crescimento do PIB neste ano. Em vez da expansão de 2% anunciada há dois meses, as estimativas agora apontam para um avanço de 1% na economia brasileira. Embora abaixo da anterior, a previsão supera a expectativa do mercado que, conforme o relatório Focus, espera uma contração de 0,49% neste ano.

A taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 8,9% no quarto mês do ano de 2009, o que mostra estabilidade em relação a março, quando a taxa registrada fora de 9%. Em relação a abril de 2008, houve avanço de 0,4 ponto percentual. As informações são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que divulgou a “Pesquisa Mensal de Emprego” nesta quinta-feira.