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SÃO PAULO – Os clientes do Mt. Gox, empresa japonesa especializada em câmbio de bitcoin e antiga líder de mercado, não terão suas bitcoins de volta. Esse é mais um capítulo na lenta novela que vem se desenrolando sobre a empresa nas últimas semanas. O ápice ocorreu na última terça-feira (25), quando o site da empresa simplesmente desapareceu, deixando “travado” o dinheiro de seus clientes. A estimativa é que o Mt. Gox tenha levado consigo 744 mil bitcoins, que equivalem a cerca de US$ 388 milhões.
Como a bitcoin não é regulada por um governo e não segue as regras de nenhum país, especialistas ouvidos pela Reuters dizem que é improvável que os clientes do Mt. Gox consigam ter seu dinheiro de volta.
Na véspera, o secretário-geral do Governo japonês, Yoshihide Suga, disse que “nesta fase, as autoridades – polícia, ministério das Finanças e outros – estão reunindo informações sobre o caso“. Entretanto, mesmo sob a mira das autoridades e os olhares indignados dos clientes, pouco pode ser feito sobre o assunto. Segundo a Reuters, os clientes lesados podem processar o Mt. Gox por negligência, quebra de contrato ou fraude, mas tudo indica que a empresa está insolvente. Assim, ela não teria como pagar o que deve.
Não se sabe exatamente o que aconteceu no Mt. Gox. Mas, no último domingo, a Bitcoin Foundation, que estabelece padrões e procedimentos para o mercado de bitcoins, havia anunciado que o Mt. Gox estava deixando de fazer parte da organização. No noticiário, o Business Insider obteve uma declaração da Bitcoin Foundation que confirmaria que o Mt. Gox está insolvente: “estamos chocados ao saber da alegada insolvência do Mt. Gox. Não podemos comentar se o Mt. Gox empregava ou não as melhores práticas e procedimentos contábeis. Mas podemos assegurar que o protocolo [referindo-se ao conjunto de algoritimos matemáticos em que a bitcoin se apoia] da bitcoin está funcionando como esperado”.
Para completar a confusão em torno da Mt. Gox, tem circulado rumores de que a corretora teria sido vendida. Até o momento, pouco se sabe sobre o caso, a não ser que o ocorrido colocou ainda mais em evidência as fragilidades da moeda virtual, que ainda não possui nenhum regulador. A bitcoin, que chegou a valer mais de US$ 1000 em janeiro, viu seu preço despencar para US$ 100, quando a corretora começou a bloquear os saques de bitcoin, no início de fevereiro.
Atualmente, no site do Mt. Gox aparece apenas a mensagem: “em meio às especulações sobre a Mt. Gox, gostaria de usar essa oportunidade para tranquilizar a todos que eu ainda estou no Japão e trabalhando duro para encontrar uma solução para essas recentes questões”, assinada por Mark Karpeles, CEO (Chief Executive Officer) da Mt Gox. E na terça-feira, data em que o site saiu do ar, aparecia um comunicado ainda mais enigmático: “em virtude dos últimos acontecimentos e das potenciais repercussões nas operações do Mt. Gox e do mercado, tomamos a decisão de encerrar todas as atividades, de maneira a proteger o site e os utilizadores”.