Citigroup recomenda compra às ações de Sadia e Perdigão e eleva preço-alvo de ambas

Analistas elogiam sinergias da fusão e veem potencial atrativo para papéis; no entanto, diluição acionária pós-oferta preocupa

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SÃO PAULO – “Acreditamos que há ainda um potencial de valorização considerável deixado por ambas ações que precisa ser capturado com o negócio”. A afirmação permeia relatório do Citigroup, no qual discorre sobre a fusão entre Sadia e Perdigão e suas possíveis decorrências, tanto no mercado acionário quanto na economia real.

Primeiramente, o banco norte-americano informa que aumentou suas estimativas de preço-alvo para ambos papéis, de R$ 39,50 para R$ 48,00 no caso da Perdigão (PRGA3) – upside de 29,9% face ao último fechamento; e de R$ 4,00 para R$ 6,40 no tocante às ações da Sadia (SDIA4), com potencial de valorização de 36,4%, nas mesmas bases comparativas.

Além disso, os analistas elevaram a recomendação dos papéis da primeira processadora de alimentos, de venda para compra. Os últimos ativos permanecem com a recomendação de compra, anterior ao processo de fusão.

Sinergias e ganhos fiscais

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Conforme o viés da instituição financeira, as sinergias obtidas com o processo de fusão podem chegar na casa de R$ 637 milhões por ano, divididos da seguinte forma: R$ 111 milhões devido ao aumento de preços, dada a previsão de elevação de 0,5%; e R$ 527 milhões por redução de cistos operacionais. “Estimamos que as sinergias demorarão três anos para serem capturadas totalmente”, completam os analistas.

Dado que a Perdigão adquiriu a Sadia por um preço maior do que o valor dos ativos no mercado, o Citigroup ressalta que deverá existir um montante razoável de goodwill (ágio por expectativa de rentabilidade futura) a ser auferido no decorrer dos próximos dez anos.

“Calculamos um goodwill de R$ 3,1 bilhões, que deve ser amortizado em dez anos num montante de aproximadamente R$ 310 milhões por ano”, prevê o banco norte-americano, listando ainda que tais amortizações devem gerar benefícios fiscais de R$ 106 milhões, que proverá um VPL (Valor Presente Líquido) de R$ 604 milhões.

Valuation e otimismo

De olho nas dívidas bilionárias da Sadia, a recém nascida Brasil Foods realizará uma oferta pública de ações, visando levantar R$ 4 bilhões no processo. Para a instituição financeira, tal operação deverá afetar a valuation dos papéis em bolsa. Contudo, os analistas chamam a atenção para o overhang (diluição de participação acionária) potencial pela eventual participação do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Entre tantas incertezas no horizonte, o Citigroup não deixa de permanecer otimista com a nova companhia. “Após a fusão, com mais clareza acerca dos ganhos a serem auferidos por sinergia, as ações devem resumir sua trajetória ascendente”, conclui o banco.