Citi revisa setor de consumo e eleva recomendação de Lojas Renner para compra

Ação foi considerada excessivamente descontada; analistas também alteraram preços-alvo para outros papéis

Publicidade

SÃO PAULO – Após atualizar as projeções macroeconômicas para o ano de 2011, os analistas do Citi realizaram uma ampla revisão de suas projeções para o setor de consumo, promovendo a redução da recomendação para as ações Lojas Renner e diversas alterações nos preços-alvo.

Consumo no Brasil
A atividade neste ano deverá continuar forte, apoiada em fundamentos domésticos, apontam Carlos Albano e Marcio Kawassaki, em relatório. Segundo os analistas, a demanda doméstica continuará crescendo, ao passo que a taxa de desemprego atinge níveis mínimos.

Ademais, a tendência do crédito – outro importante fator para o setor de consumo – não deverá sofrer tanto impacto das últimas medidas anunciadas pelo Banco Central, apesar da expectativa por ligeira redução do ritmo de crescimento do empréstimo.

“No entanto, expectativas de inflação e de taxas de juros têm deteriorado recentemente, o que poderá trazer alguns obstáculos para algumas de nossas empresas”, alertaram os analistas.

Empresa  Ticker  Recomendação
antiga
 Recomendação
nova
 Preço-alvo
antigo
 Preço-alvo
novo
Upside*
Minerva BEEF3 Manutenção Manutenção R$ 9,30 R$ 9,00 37,40%
BR Foods BRFS3 Venda Venda R$ 29,00 R$ 31,00 13,34%
B2W Varejo BTOW3 Manutenção Manutenção R$ 39,00 R$ 34,00 20,35%
Hypermarcas HYPE3 Compra Compra R$ 31,00 R$ 27,00 36,08%
Lojas Americanas LAME4 Compra Compra R$ 19,00 R$ 18,00 34,42%
Lojas Renner LREN3 Manutenção Compra R$ 71,00 R$ 62,00 28,09%
M. Dias Branco MDIA3 Manutenção Manutenção R$ 46,00 R$ 47,00 27,37%
Marfrig MRFG3 Compra Compra R$ 25,00 R$ 20,00 48,36%
Pão de Açúcar PCAR5 Manutenção Manutenção R$ 72,00 R$ 72,00 14,68%

*Potencial teórico de valorização calculado com base no fechamento de 31/01/2010

Alimentos
Os produtores de aves domésticas e de porco foram positivamente afetados pelos preços dos grãos, os quais atingiram os patamares mais baixos desde 2007 no início do último ano, revelam os analistas, indicando que os preços de soja e milho foram pressionados pela crise financeira e pela forte produção no Brasil e nos EUA. No entanto, este cenário começou a mudar no segundo semestre do ano passado, devido à crescente demanda por parte da China e dos EUA.

Continua depois da publicidade

“Portanto, para 2011 nós permanecemos com expectativa de alta para os preços dos grãos, apoiados em estoques menores, demanda elevada, possíveis condições climáticas adversas, liquidez abundante nos mercados financeiros, que podem favorecer a especulação neste mercado”, apontam.

Já o segmento de gado deverá apresentar demanda forte neste ano, tanto a doméstica quanto a externa, ao passo que o fornecimento não apresentará avanço significativo.

Porém, um dos fatores mais importantes para o setor é a taxa de câmbio. “Um real fraco versus o dólar reduz as receitas de exportação em moeda local e também contribui com um impacto negativo nas margens das companhias”, explicam.

Continua depois da publicidade

Assim, Albano e Kawassaki indicam que a situação cambial deverá continuar parecida com a de 2010, mas alertam que a elevação nos preços de commodities e entrada de capital no país estão exercendo uma pressão extra sobre o real. “Mais apreciação do real em 2011 pode trazer algumas pressões negativas para as receitas dos produtores alimentícios do Brasil”.

BR Foods
Segundo os analistas, os papéis da BR Foods são negociadas com um prêmio injustificável. Apesar de ser uma companhia sólida e com bom gerenciamento, cerca de 40% das receitas da empresa são provenientes de produtos de commodities, sendo que, caso o preço dos grãos continue a se elevar, a companhia não conseguirá repassar os preços para a exportação sem afetar a demanda. “(…) nós acreditamos que há um significante risco de downside para nossas estimativas”, alertam.

Marfrig e Minerva
Já a Marfrig, apesar de considerada boa para o longo prazo, possui diversos obstáculos no curto prazo, tais como a expectativa do Citi de um fluxo de caixa negativo neste ano, devido às pequenas margens e aos altos investimentos. No entanto, os papéis estão com um desconto excessivo, revelam, indicando que a compahnia também poderá se beneficiar das sinergias com a Seara e a Keystone, a qual poderá ajudar a desalavancar a empresa. 

Continua depois da publicidade

Do mesmo modo, a Minerva enfrenta os mesmos desafios da Marfrig, mas o valuation não é atraente, na visão dos analistas, uma vez que há um risco a ser considerado para superar tais obstáculos.

M. Dias Branco
Já o momentum da M. Dias Branco não é bom, revelam, já que a companhia enfrenta a alta no preço do trigo e um ambiente competitivo, especialmente no setor de massas, os quais devem pressionar as margens da empresa em 2011, além do valuation não apresentar números atrativos e a liquidez das ações permanecer baixa. Possível upside pode vir de aquisições, mas ainda existem diversas indefinições sobre qual tipo de negócio a empresa adquiriria.

Varejistas
Passando para as varejistas, o foco principal do setor são as taxas de juros, as quais elevam as despesas das empresas e potencialmente diminui a demanda por produtos, devido às necessidades mais altas de financiamento dos produtos. Quanto a este último item, as previsões do Citi já reduziram a demanda para todas as varejistas em 2011.

Continua depois da publicidade

No entanto, mesmo que estas taxas sejam passadas integralmente aos preços, elas não deverão ter um impacto significante em termos absolutos para as parcelas que os consumidores pagariam, portanto isto significaria um impacto apenas marginal na demanda.

Com relação à inflação, ela deverá afetar mais aquelas companhias que possuem uma força de trabalho intensiva. “No entanto, nós também acreditamos que, devido aos bons prospectos para a demanda doméstica, algumas companhias devem compensar as pressões de custo ao aumentar o preço dos produtos”, apostam, indicando que aquelas com uma marca mais forte, como a Hypermarcas, ou com produtos menos sensíveis aos preços, como a Lojas Renner, deverá possuir uma posição mais confortável sobre os rivais.

Lojas Renner
A Lojas Renner deve ter um ano desafiador, devido às dificuldades de manter a expansão das margens – os analistas do Citi esperam, na realidade, uma contração das margens e do Ebitda (geração operacional de caixa) -, pressionadas por preços de matérias-primas mais elevados, taxas de juros altas e um número recorde de abertura de lojas. No entanto, as ações sofreram forte desvalorização recentemente – cerca de 30% desde o pico em novembro de 2010 -, e possui um cenário de crescimento nos próximos anos na casa dos dois dígitos e com margens estáveis.

Lojas Americanas e B2W
Do mesmo modo, a Loja Americanas registrou desvalorização de 30% dos seus papéis desde novembro, com maior pressão da elevação das taxas de juros, já que estas afetam as receitas, principalmente da B2W, a qual contribui com uma participação de 20% na empresa. No entanto, os analistas acreditam que as ações da Lojas Americanas possuem um desconto excessivo, devido à pequena participação da B2W no negócio.

Já esta não possui um cenário de melhora nos resultados, além de que possui um baixo nível de governança corporativa. Mesmo que a companhia conclua as operações de melhoras nos centros de distribuição e nas plataformas de sistemas no segundo trimestre deste ano, o cenário competitivo permanece como um ponto importante, e não deverá melhorar neste ano, apontam os responsáveis pelo relatório do Citi.

Hypermarcas
Os analistas chamam a atenção para a volatilidade das ações da Hypermarcas registrada em 2010, devido à especulações de aquisições. Em novembro os papéis tiveram um rali de 30%, mas logo apresentaram desempenho abaixo do mercado, devido à um movimento de correção e à resultados trimestrais fracos, apontam.

No entanto, os papéis estão excessivamente descontados e oferecem um bom ponto de entrada, ao passo que as ações permanecem com uma perspectiva positiva no médio prazo. Vale destacar que os analistas não veem um gatilho para as ações no curto prazo, devido às projeções de resultados ruins do quarto trimestre e sem aquisições significantes.

Pão de Açúcar
Já o Pão de Açúcar está em um ponto de virada, com a incorporação da Casas Bahia em vista, além de que a estratégia de redução de custos deve ser compensada por taxas de juros mais atlas neste ano. Ademais, as ações apresentam um prêmio sobre seus pares neste ano, enquanto em 2012 os valores parecem razoáveis, mas ainda não interessantes. Deste modo, a recomendação é mantida com base nos riscos de execução à frente.