Citi monta estratégia para diferentes resultados eleitorais e eleva ações de duration

Banco amplia exposição a empresas sensíveis aos juros após avaliar que a disputa eleitoral ficou mais equilibrada e pode abrir espaço para queda das taxas longas

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Com a disputa eleitoral mais acirrada, o Citi promoveu uma mudança em sua carteira recomendada para ações brasileiras e passou a favorecer, ainda que de forma moderada, papéis mais sensíveis à queda dos juros de longo prazo.

A estratégia reflete a avaliação de que o mercado passou a atribuir maior probabilidade a um cenário de mudança política em 2027, o que poderia abrir espaço para redução dos prêmios de risco e das taxas de longo prazo.

Em relatório divulgado nesta terça-feira, o banco afirmou que está adotando uma abordagem de “barbell portfolio” para navegar os diferentes cenários eleitorais. A estratégia é um formato de alocação de ativos que visa mesclar produtos de baixo risco com outros de altíssimo risco.

Assim, mantém exposição a empresas capazes de atravessar diferentes ambientes macroeconômicos, ao mesmo tempo que amplia a presença de ações que podem se beneficiar de uma eventual compressão dos juros em caso de vitória da oposição.

A estratégia foi detalhada em estudo recente do Citi sobre os impactos econômicos e de mercado de dois possíveis resultados eleitorais. Segundo o banco, em um cenário de reeleição de Lula, os analistas tendem a privilegiar empresas consideradas “all weather”, além de companhias expostas a programas governamentais específicos, como o Minha Casa Minha Vida (MCMV). Já em um cenário de vitória da oposição, a preferência recai sobre ações de maior duração, cujos fluxos de caixa futuros tendem a ser mais beneficiados por uma redução das taxas de desconto.

“A eleição ficou mais apertada desde nossa última atualização, o que nos leva a favorecer ligeiramente ações de maior duration”, destacou o Citi. As ações de maior duration têm boa parte de seu valor concentrada em lucros e geração de caixa futuros.

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Mudanças na carteira

Como reflexo dessa visão, o banco promoveu uma revisão significativa em sua carteira MVP (Most Valuable Portfolio), retirando ações de setores distintos e reforçando a exposição a nomes ligados ao tema doméstico e à queda dos juros.

Saíram da carteira Smart Fit (SMFT3), Itaú Unibanco (ITUB4), BradSaúde (SAUD3), Motiva (MOTV3), Eneva (ENEV3) e Cury (CURY3). No lugar, entraram XP Inc. (NASDAQ: XP), BTG Pactual (BPAC11), Hypera (HYPE3), Ecorodovias (ECOR3) e Sabesp (SBSP3).

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A nova composição inclui XP, BTG, PRIO (PRIO3), Rede D’Or (RDOR3), Hypera e Ecorodovias com peso de 5% cada. Já Multiplan (MULT3), Embraer (EMBJ3), Vale (VALE3), Petrobras (PETR4), Axia (AXIA3), Sabesp e Vivara (VIVA3) receberam peso de 10% cada.

A principal alteração de peso foi o aumento da participação da Vivara (VIVA3), que passou de 5% para 10%, indicando maior convicção dos estrategistas no papel.

A seleção mostra uma combinação entre empresas ligadas à atividade doméstica, companhias beneficiadas por juros mais baixos e nomes de perfil defensivo.

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A presença de Multiplan (MULT3), Ecorodovias (ECOR3), Sabesp (SBSP3), Axia (AXIA3) e Vivara (VIVA3) sugere uma busca por ativos cuja precificação tende a responder de forma mais significativa a uma eventual queda dos juros reais de longo prazo.

Ao mesmo tempo, o banco mantém uma parcela relevante da carteira em empresas de commodities, como Vale (VALE3), Petrobras (PETR4) e PRIO (PRIO3), além de instituições financeiras como BTG e XP, preservando exposição a segmentos menos dependentes do ciclo doméstico.

Brasil como “anti-AI trade”

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Outro ponto destacado pelo Citi é que o mercado brasileiro pode funcionar como uma espécie de “anti-AI trade” para investidores globais.

Após forte valorização de ações de empresas ligadas à inteligência artificial, muitas carteiras internacionais ficaram excessivamente concentradas em tecnologia. Nesse contexto, o banco vê o Brasil como uma alternativa de diversificação, devido ao peso elevado de setores tradicionais na composição da Bolsa, especialmente commodities e instituições financeiras.

Na avaliação dos estrategistas, essa característica pode tornar o mercado brasileiro um hedge interessante para investidores que buscam reduzir a concentração em ativos ligados ao tema de inteligência artificial sem abrir mão da exposição à renda variável.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.