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O Citibank divulgou o primeiro relatório de cobertura do setor de telecomunicações no Brasil nesta quarta-feira (10).
Os analistas do Citi iniciaram a cobertura com recomendação de compra para a TIM (TIMS3), com preço-alvo de R$ 26 e neutra para a Vivo (VIVT3), com preço-alvo de R$ 35, assim como para a América Móvil (AMX), com o preço-alvo de US$ 22 por ADR.
Segundo o relatório, a combinação entre o crescimento consistente das receitas, menor intensidade de capital e aumento da remuneração aos acionistas mostra que há condições mais favoráveis para as companhias de telecomunicação brasileiras após a consolidação da Oi em 2022.
Os dividend yields (dividendos em relação ao preço da ação) estão atualmente em um patamar de um dígito, e os analistas acreditam que os fundamentos já estão refletidos parcialmente nos preços.
“Além disso, o equilíbrio competitivo de um ‘triopólio’ deve permanecer fluido por natureza, as oportunidades de migração de clientes pré-pagos para planos híbridos/pós-pagos de maior ARPU (Average Revenue per User, receita média por usuário) e maior margem podem saturar eventualmente, enquanto a ameaça de novos entrantes continua sendo um risco de cauda”, diz o relatório.
Ao todo, a visão do Citi é construtiva nos fundamentos, porém há mais cautela em relação ao valuation, com destaque para o perfil mais maduro/defensivo da indústria pode ter desempenho inferior em um mercado com um ambiente de maior apetite ao risco.
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Sobre a AMX, o rebaixamento para neutro veio após a alta das ações de 36% no acumulado do ano. “Apesar de continuarmos vendo bom desempenho operacional, antecipamos um ambiente mais competitivo no México”, afirmam. Atualmente, a AMX negocia atualmente a 4,9 vezes/4,5 vezes o Valor de Firma sobre EBITDA (2025-2026) e com fluxo de caixa para acionistas em relação ao valor de mercado de 6%/7%.
TIM como top-pick
O Citi cita três principais motivos para tornar a TIM como sua principal escolha. Para os analistas, a operadora é vista como a opção mais direta para aproveitar o bom momento da telefonia móvel depois da consolidação do mercado, já que cerca de 92% da receita da empresa vem desse segmento, e a ideia é apoiada pelos seguintes fatores, segundo o relatório:
- Maiores oportunidades de acelerar receita e margens com o up-selling de planos pré-pagos (55% da base móvel de clientes pessoa física);
- Crescimento mais rápido do fluxo de caixa (EBITDA menos arrendamento e capex – com CAGR de 2024-2027 de +14%);
- Valuation mais barato (Preço sobre lucro de 11,9 vezes e dividend yield de 9% em 2026) em relação à Vivo e à AMX.
“Apesar de sua estratégia não convergente levantar preocupações de posicionamento competitivo no longo prazo, consideramos que o risco está hoje reduzido, dado o baixo nível de churn”, apontam. A taxa de cancelamento é de cerca de 0,8% no pós-pago ex-M2M no segundo trimestre de 2025.
Por fim, o Citi citou que os principais tópicos de análise para as empresas de telecomunicação do Brasil são:
- Competição móvel favorável pós-consolidação;
- Menor intensidade de capital, margens de fluxo de caixa em alta e retorno aos acionistas;
- Fibra ganhando participação na banda larga, enquanto crescimento das ISPs (provedores regionais) desacelera;
- Avanço da cobertura do 5G;
- Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações);
- Migração da Vivo do regime de concessão para autorização.