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SÃO PAULO – Revisão tarifária, eleições, renovação de concessões, aquisições: até que para um setor conhecido justamente por um noticiário um pouco mais tranqüilo e pela relativa estabilidade contábil de suas companhias, o setor elétrico brasileiro vem dando aos investidores bastantes fatores com os quais se atentar.
De olho em possíveis oportunidades valiosas, a equipe de analistas do Citigroup anunciou o início de cobertura das principais companhias do setor elétrico brasileiro, listando suas expectativas, riscos, preferências e recomendações.
Visão geral
De forma geral, a visão dos analistas para o setor elétrico brasileiro é marcada pela neutralidade, dado o caráter defensivo que lhe é inerente: receitas estáveis e boa distribuição de dividendos aos acionistas. No entanto, os diversos catalisadores citados acima sustentam perspectivas positivas para o futuro.
“O Brasil está fadado a viver com uma relação apertada entre oferta e demanda de energia nos próximos anos”, conjeturam os analistas. A desaceleração econômica brasileira, aliada às iniciativas do governo de expansão da matriz energética, teria suscitado entre muitos o temor de uma oferta excessiva no setor – temor este infundado, na visão do Citi.
Pelo contrário, a equipe do banco aposta em contínuo crescimento da demanda, o que por sua vez deverá ocasionar um aumento de cerca de 50% nos preços comercializados no setor até 2014 e “uma oportunidade de se tirar proveito de tal tendência por meio das companhias geradoras”.
Concessões
Outro ponto importante na análise do Citi sobre o setor é o novo ciclo de renovação de concessões que se aproxima. Diversos contratos devem expirar em 2015, “reduzindo de certa forma a visibilidade das receitas do setor no longo prazo”, nas palavras dos analistas. No entanto, para algumas empresas, a renovação inspira otimismo.
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É o caso da Cesp. De acordo com o Citigroup, 78% da capacidade da companhia está atrelada a contratos com validade em 2015. No entanto, o banco acredita que as concessões deverão ser renovadas já em 2011, “abrindo espaço para que os papéis se valorizem”.
Dividendos e tag-along
Sempre um fator atrativo dos papéis do setor de energia, o perfil de distribuição de dividendos de cada companhia também foi analisado pelo Citi. A conclusão da equipe é de que os rendimentos pouco ou em nada deverão ser afetados pelo provável ciclo de aperto monetário que está por vir no País.
Assim, ao menos no que tange este aspecto, os analistas veem com bons olhos os papéis da Light e da Eletropaulo, reconhecidas por serem boas pagadoras de proventos. Por sinal, a Eletropaulo também compartilha de perspectivas favoráveis em função da possível venda da Brasiliana, o que poderia favorecer os detentores de papéis preferenciais da empresa dado o tag-along concedido.
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De olho nas eleições
Depois de listar os principais catalisadores ao setor, a equipe do Citi não afasta uma postura cautelosa frente às eleições do ano que vem. “A proximidade das eleições agendadas para outubro de 2010 deve elevar a volatilidade nos papéis de companhias controladas ou atreladas ao governo, no lastro de possíveis alterações em tarifas e investimentos”, ponderam os analistas.
Se por um lado, as eleições requerem cautela por parte dos investidores, de outro, podem ser notícia positiva a algumas companhias. Segundo o Citi, empresas como Cemig e Copel poderiam adotar estratégias corporativas mais eficientes passados os pleitos eleitorais.
Recomendações
Com tais fatores em mente, o Citi elege seus papéis preferidos entre as nove principais empresas brasileiras do setor de energia. As escolhas se dividem entre quatro recomendações de compra, quatro sugestões de manutenção para aqueles que já possuem as ações e apenas uma recomendação de venda.
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O posto de top pick fica com a Tractebel Energia. Para o Citi, a empresa possui boas perspectivas de crescimento operacional e geração de caixa nos próximos anos, além de possuir uma boa estratégia corporativa e de estar isenta dos riscos inerentes à onda de renovação de concessões – seus contratos mais próximos vencem somente em 2028. “Além disso, os papéis estão subvalorizados”, afirma a instituição.
Em contrapartida, as ações da AES Tietê recebem uma recomendação de venda por parte da equipe, por “operarem em patamares muito elevados em face da ausência de quaisquer catalisadores positivos nos próximos doze meses”. Confira a tabela com as recomendações e preços-alvo:
| Empresa | Preço-alvo | Upside* | Recomendação |
| Tractebel (TBLE3) | R$ 28,12 | 28,9% | Compra |
| Cesp (CESP6) | R$ 32,42 | 50,0% | Compra |
| Light (LIGT3) | R$ 35,08 | 41,9% | Compra |
| Eletropaulo (ELPL6) | R$ 40,69 | 10,6% | Compra |
| Copel (CPLE6) | R$ 40,74 | 21,1% | Manutenção |
| Cemig (CMIG4) | R$ 35,79 | 19,1% | Manutenção |
| CPFL Energia (CPFE3) | R$ 36,27 | 9,9% | Manutenção |
| Transmissão Paulista (TRPL4) | R$ 53,37 | 4,21% | Manutenção |
| AES Tietê (GETI4) | R$ 19,46 | -0,66% | Venda |
*Potencial de valorização com base na cotação de fechamento do dia 17 de novembro