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SÃO PAULO – À luz das tensões crescentes entre China e EUA no comércio internacional, o Citi publicou relatório no qual procura responder a seguinte pergunta: como um conflito entre chineses e norte-americanos afetaria os mercados emergentes?
“Os mercados emergentes provavelmente sofrerão de um efeito de “receita negativa”, tendo em vista que o comércio e a produção devem contrair, assim como o apetite por risco”, respondem os analistas David Lubin, Johanna Chua e Marcos Buscaglia.
Dois efeitos, três lições
Mais a fundo na resposta, o banco avalia dois potenciais efeitos – substituição e renda. Em relação ao primeiro, o Citi observa que tais tensões podem ser uma válvula de escape à balança comercial dos EUA com outros países asiáticos, podendo produzir efeitos positivos. O segundo diz respeito à renda, que deve ser reduzida com o menor volume no comércio.
Nesse sentido, os analistas acreditam que os países reaprenderão algumas lições da crise: (i) a abertura econômica pode ser uma fonte de vulnerabilidade; (ii) a possível proteção de um “autosseguro” proveniente da acumulação de reservas internacionais e; (iii) quando possível, às vezes é melhor ter uma fraca taxa de câmbio ao invés de uma forte para proteger o crescimento.
Vulnerabilidade externa: demanda doméstica salva
Para o Citi, os países mais vulneráveis a choques externos no comércio internacional são Cingapura, Taiwan, Coreia do Sul, Hong Kong, Tailândia e Malásia, à medida que todos dependem muito das exportações.
Por outro lado, nações capazes de redirecionar as baixas na balança comercial para um maior consumo doméstico, como Índia, Indonésia, Filipinas e Vietnã, devem sofrer menos com os efeitos do conflito.
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Da Ásia para a Europa, os analistas ressaltam que “os maiores riscos se encontram nas economias do leste europeu, cujos modelos de crescimento pré-crise são fortemente dependentes da disponibilidade de crédito”.
Neste grupo, inserem-se Hungria, Ucrânia, os países bálticos (Lituânia, Letônia e Estônia) e a Romênia – países em que “as cargas de divida doméstica (pública e/ou privada) precisam das exportações como rota necessária à recuperação”.
Reservas internacionais como hedge
Assim como aprendido pelos países asiáticos na década de 1990, o “autosseguro” mediante a acumulação de reservas internacionais pode ajudar países contra os colapsos nos fluxos de capitais.
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“O impacto negativo do custo de capital que resulta do colapso pode ser minimizado pela posse de altos níveis de solvência, e isso continua a alertar os planejadores de política monetária sobre os benefícios dos altos estoques nas reservas”, completa o banco, que cita como exemplo o México.
Câmbio fraco pode ser bom para PIB
A terceira lição remete ao mercado de câmbio, à medida que uma taxa de câmbio mais fraca possibilita proteção do PIB. No entanto, tal movimento somente é possível se o país não possuir combinações cambiais mal sucedidas nas folhas de balanço privadas.
Um exemplo citado pelo banco é a economia polonesa, que foi capaz de não entrar em recessão devido à desvalorização de sua moeda local frente a de outros países emergentes, além da inexistência de descompassos na folha de balanços privada.
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De olho no País
Mais adiante no relatório, os analistas direcionam o olhar para o Brasil, ressaltando a maior projeção para a inflação em 2010, de 4,8% para 5%, dado surpresas ascendentes no nível geral de preços durante o primeiro trimestre deste ano.
Quanto à atividade econômica, o Citi acredita que o PIB (Produto Interno Bruto) do último trimestre e os indicadores de janeiro da produção industrial e das vendas no varejo confirmam sua visão de que a desaceleração vista em dezembro foi temporária.
Diante do fortalecimento da atividade econômica e das maiores expectativas para inflação, o banco norte-americano projeta aumento de 50 pontos-base na Selic em abril. Além disso, os analistas ressaltam a ata do Copom (Comitê de Política Monetária), que foi explicita em relação ao início do aperto em abril.
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“Reiteramos nossas expectativas de deterioração na conata externa deste ano e de alguma melhora no superávit primário, ambos refletindo os efeitos positivos da recuperação doméstica sobre as importações e as receitas com arrecadação fiscal”, concluem os analistas.